SÃO PAULO SE ENCANTA COM O VERMUTE

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O Sur Vermut reuniu em um evento em São Paulo 14 marcas de vermute da Argentina, Bolívia, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai

A terceira edição do Sur Vermut aconteceu em São Paulo, no dia 20 de setembro, no HiFi Community, na Vila Leopoldina, reunindo 14 marcas de vermute da Argentina, Bolívia, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Para quem ama vermute puro ou em coquetéis, foi uma chance incrível para provar o que se faz de melhor no continente, conhecendo estilos diversos, conversando com quem produz e podendo adquirir rótulos que nem sempre se acham por aqui. Mais do que isso, o Sur Vermut proporcionou uma experiência em torno da cultura deste aperitivo, comum em países latinos como Argentina, Espanha, Uruguai e Itália. E o espaço ainda propiciou gastronomia do restaurante do HiFi, coquetéis e um DJ animando os presentes.

As duas primeiras edições do Sur Vermut – Encuentro Vermutero Latinoamericano – aconteceram em Montevidéu, em 2024 e 2025, produzidas por Vermut Flores. A versão brasileira foi organizada em parceria com San Basile Destilaria. São Paulo foi escolhida para sediar o evento porque o interesse por essa bebida à base de vinho e botânicos cresceu muito, sobretudo em razão do aquecido mercado de alta coquetelaria em bares, restaurantes e casas noturnas da capital paulista.

O que é o vermute?

O vermute é um vinho fortificado macerado com botânicos, sobretudo a losna. Hipócrates, 400 anos antes de Cristo, já infusionava vinho com losna e menta e receitava a mistura para curar males estomacais. Na Idade Média, o elixir tornou-se popular na Itália e no sudeste da França, virou moda e sua riqueza de sabores e aromas era constantemente incrementada com a chegada de ervas e especiarias trazidas por navegadores do oriente e da África.

Logo surgiram marcas famosas como Carpano, Cinzano, Martini e Dolin. A cultura do vermute ganhou a Europa e os Estados Unidos e foi trazida para a América do Sul por imigrantes italianos na virada dos séculos 19 e 20. Nos anos 2000, com o novo boom mundial da coquetelaria, o vermute experimentou um ressurgimento, com a criação de marcas locais em todos os continentes, movimento no qual a América Latina tem participação fundamental.

Para constatar a importância do vermute até os dias de hoje, basta notar que alguns clássicos da coquetelaria não existiriam sem sua presença. Dry Martini, Negroni, Manhattan, Martinez e o nosso Rabo de Galo prescindem do vermute para sua execução.

O Sur Vermut foi a oportunidade para o mercado nacional conhecer o pulsante panorama latino da bebida. O que diferencia a América Latina da centenária tradição europeia é a reinterpretação de diferentes estilos (tinto, dry, bianco, rosé, quinado) com ingredientes locais. Ervas, flores, cascas, especiarias, frutas e outros botânicos naturais das regiões em que são elaborados os vermutes entram na alquimia de receitas surpreendentes, que afirmam a identidade de cada país e de cada produtor.

Além do uso de botânicos locais, vários vermutes latino-americanos mostram especial preocupação com o vinho usado como base. Não é mais um vinho genérico. Variedades simbólicas como o Tannat e o Albariño, no Uruguai, o Malbec e o Torrontés, na Argentina, colaboram com a riqueza de algumas receitas, com sua acidez natural e notas de florais e de frutas no aroma e no paladar.

O Sur Vermut 2026 no Brasil

O Portal Mesa de Bar esteve presente no Sur Vermut 2026 em São Paulo e pode provar vários rótulos brasileiros e latino-americanos e traz a seguir um pouco de suas impressões.

Avelino (Peru) https://vermouthavelino.com/en/ – @vermouthavelino
A Avelino produz vermutes em pequenos lotes, com botânicos colhidos em diversas regiões do Peru. Entre eles losna, camomila, baunilha, canela, flores e frutos do figo. A marca dispõe de três rótulos: Rojo (à base de vinho de uva Itália), Rosa (à base de Quebranta, uva usada na produção de pisco) e Reserva (envelhecido em barris de carvalho francês de primeiro uso). Provamos os três e, realmente, são bebidas incríveis, mas o Reserva…

Companhia dos Fermentados (Brasil) https://ciadosfermentados.com.br/ – @ciadosfermentados
A paulistana Companhia dos Fermentados subverte a linguagem do vermute com bases de fermentados de caju, jabuticaba, mel e até cerveja. Outros rótulos trazem adição de café, ingrediente pouco comum na produção de vermutes. O vinho também entra na composição de alguns vermutes da Companhia, que privilegia o uso de botânicos brasileiros. Provamos os que levam frutas, mas nosso destaque vai para o de café.

Flores (Uruguai) https://vermutflores.com/ – @vermutfloresuy @vermutfloresbr
Vermut Flores tem como base a vinicultura tradicional do Uruguai. O Rojo e o Rosado são produzidos com vinhos de Tannat. O branco tem base de Albariño, uva da Galícia que encontrou bom terroir em campos uruguaios. A marca também prima pelo uso de botânicos locais, com destaque para o lúpulo, rosa e flor de sabugueiro. Importado no Brasil pela Berkmann. Se for escolher entre os três, vale conferir o branco.

Gargalo (Brasil) @vermutegargalo
“Liberte o vermute do Negroni” é o slogan do Vermute Gargalo, de Curitiba. A marca pretende virar uma chave na cabeça do consumidor brasileiro e trazer a bebida para o dia a dia, servida pura, com gelo ou água com gás. Gargalo tem um vermute rosado com ervas locais como cataia, catuaba, guaco e erva mate tostada. No Sur Vermut, a marca lançou um tinto com pixuri, favas de aridã, sassafrás, erva-mate verde e folhas de graviola que estava espetacular!

La Finca (Brasil) https://vermutlafinca.com/ – @vermut_la_finca
La Finca nasceu em 2022 em Paraty, Rio de Janeiro, e é uma das primeiras vermuterias artesanais do país. Seu sucesso prova que vermute também pode ter a ver com praia. A casinha azul que sedia a marca vive lotada de pessoas querendo provar receitas como o Rosso e o que mais gostamos: o Mata Atlântica, um vermute tinto com botânicos da região, como noz moscada e pacová.

La Fuerza (Argentina) https://lafuerza.com.ar/pt/la-fuerza-vermouth/ – @lafuerzavermu
La Fuerza leva a identidade argentina para dentro da garrafa. O Vermute Rosso da casa é feito a partir de Malbec, uva simbólica do país. O Blanco tem base de Torrontés, conhecida por sua potência aromática. Outros rótulos peculiares são Primavera En Los Andes e La Fuerza Sideral (que gostamos bastante), que usam botânicos dos Andes na composição. Importado no Brasil pela La Pastina.

La Vermuteria (Paraguai) @lavermuteriapy
La Vermuteria é bar, restaurante, casa de música e produtora de vermutes artesanais em Assunção. O Afrutado é um vermute tinto com notas de maçã, laranja e cereja. No Cítrico, predomina o maracujá e, no Cacau, baunilha e chocolate. E o Guarani é um vermute bianco que privilegia a erva-mate, em harmonia com erva-cidreira e cascas de cítricos. Este último um dos melhores de toda a feira.

San Basile (Brasil) https://sanbasiledestilaria.com/ – @sanbasiledestilaria
A San Basile Destilaria revolucionou o mercado de bebidas no Brasil com um consistente portfólio de licores, amaros, destilados, bitters e, naturalmente, vermutes. O Rosso segue o padrão tradicional da vermuteria italiana. Há dois brancos: o Dry (com base de uvas Moscato e Chardonnay) e o Extra Dry (adoramos esse porque é um match perfeito para um Martini). E o Merlot Quinado recupera a linhagem dos vinhos fortificados com adição de quinino.

Stravatto (México) https://stravatto.com/ – @stravatto
Stravatto funde a tradição europeia com a essência da natureza mexicana. O Bianco, base de Chenin Blanc, traz losna, melissa, casca de laranja, poejo, anis, angélica, jasmim e camomila. O ótimo Classico Rosso, também em Chenin, vem com losna, manjerona, hortelã, flor de sabugueiro e canela. O Rosso Dry, base de Merlot e Cabernet Sauvignon, é o mais intenso: zimbro, jalapeño, erva-mate, gengibre, lúcia-lima e mais de 20 espécies.

Suspírito (Brasil) @su.spirito
A Suspírito, de Flores da Cunha (RS), produz destilados, licores, bitters, coquetéis engarrafados. A base dos vermutes vem de uvas cultivadas na região, como Trebbiano, Chardonnay e Riesling. Entre os 32 botânicos do vermute tinto estão cerejas, figo turco, fava de baunilha, absinto, losna, hibisco, limão siciliano e tâmaras. Há uma versão branca e outra tinta barricada em madeira francesa que anteriormente recebeu vinho Chardonnay. Os três são excelentes vermutes. A marca foi a grande surpresa brasileira da feira.  

Tero (Brasil) @barterorj
Tero nasceu no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro. Uma receita caseira de vermute foi sendo aprimorada pelos sócios do Bar Tero e, assim que atestaram sua qualidade, apresentaram-na ao público. Há quatro variações de vermute na casa. O Branco é levemente cítrico e tem aroma de erva-doce. O Tinto puxa para as notas de chocolate e café. O Rosé tem perfil frutado e tropical e o Laranja agrada por ser cítrico e com amargor acentuado.

VDC (México) @vermutdecasa
VDC (Vermut de Casa) é outra marca que nasceu de experiências caseiras de Guillem Iñiguez e se tornou uma das estrelas do Carmel, bar da Cidade do México. A base do vermute tinto é de vinho Malbec da região de Querétaro, com 21 botânicos. O bar Carmel também funciona como embaixada vermuteira no México e recebe produtores do país e da América Latina. É um excelente vermute, daqueles que você precisa provar.

Yerbasanta (Bolívia) https://master-blends.com/en/yerba-santa/ – @yerbasantavermut
A empresa boliviana Master Blends produz destilados, gaseificados para coquetelaria e tem a linha de vermutes Yerbasanta. O Blanco Andino contém botânicos das montanhas como rica-rica, k’hoa, molle, misturados a frutas e flores numa base de vinho Moscatel de Alexandria. O Rosso Amazónico traz o amargor da losna e da carqueja em contraponto às notas de cupuaçu, abacaxi, laranja e limão. Os dois foram também as estrelas mais comentadas do evento.

Enraízes (Brasil) www.enraizes.com.br – @enraizesbr
A paulistana Enraízes nasceu da alquimia entre a memória da sabedoria popular brasileira, que transforma folhas, flores e raízes em fantásticas infusões, e da experimentação, para reinventar bebidas clássicas com bitters e vermutes artesanais fabricados com botânicos brasileiros. O seu Vermute Rosso, feito com 33 botânicos com notas de laranja e ervas aromáticas, é daqueles clássicos, sem erro, e os bitters já frequentam os melhores balcões de muitos bares de coquetelaria.

Como balanço final, ficamos realmente muito impressionados com a qualidade dos rótulos apresentados, tanto dos nossos vizinhos sul-americanos quanto dos produzidos por aqui. Mesmo para quem não está acostumado a consumir o vermute, a feira mostrou que ele é uma bebida incrível, que pode ser tanto ingrediente de coquetéis como apreciada pura. Aliás, esta foi a maior quebra de paradigma, pois muitos rótulos se mostraram excelentes opções para se consumir puros.

Parabéns a todos os participantes e à organização que trouxe uma excelente amostra dos que se faz de melhor na América Latina para os brasileiros. Esperamos ansiosamente a Sur Vermut 2027! Mais informações nos Instagram: @survermut @sanbasiledestilaria

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