O evento de lançamento do Guia Descorchados 2026 agitou a capital paulista com degustação dos rótulos premiados e muito networking

A 28ª edição do Guia Descorchados organizou eventos de lançamento em capitais do Brasil. Em 2026, mais uma vez o encontro de São Paulo, no último dia 07 de abril, mostrou a atual vitalidade e excelência do vinho latino-americano. Considerado o mais respeitado guia de vinhos da América Latina, o Descorchados faz uma extensa a avaliação anual dos principais rótulos da Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Peru e Bolívia.

O Guia Descorchados é publicado anualmente pelo Inner Group, detentor da plataforma ADEGA, que engloba revistas, guias, eventos, marketplace, clubes, podcasts, TV e feiras especializadas. Sob a curadoria meticulosa do renomado jornalista e crítico chileno Patricio Tapia, o Guia se tornou uma referência para consumidores, sommeliers, importadores e especialistas ao oferecer um panorama detalhado sobre terroirs, tendências e os movimentos que pulsam no cenário vitivinícola latino-americano, com grandes revelações sobre rótulos, vinícolas e novas fronteiras.

Degustamos 3.800 vinhos para a edição 2026 do Descorchados. Apenas dois alcançaram a pontuação máxima de 100 pontos, ambos Malbecs: Zuccardi Gravascal e Mundus Bacillus, da Catena. O primeiro proveniente de Altamira e o segundo de Gualtallary, ambos da safra 2023. Uma das maiores surpresas deste ano foi o potencial dos vinhos de Dupla Poda, especialmente de Minas Gerais e São Paulo. Essas regiões vêm abrindo uma porta extremamente relevante para o vinho brasileiro, mostrando consistência, identidade e grande capacidade de evolução
Patricio Tapia, jornalista, crítico chileno e curador do Gia Descorchados

O evento em São Paulo

programação do evento em São Paulo incluiu degustações livres de cerca de 600 rótulos e masterclasses, com a presença de mais de 100 produtores da América Latina, apresentando muitos dos rótulos avaliados pelo Guia. O Portal Mesa de Bar esteve presente e traz aqui um pouco do que degustou.

Vamos começar pelo Paralelas Cabernet Franc 2024, da Casa Almeida Barreto, de Espírito Santo do Pinhal, eleito com 94 pontos o Melhor Tinto do Brasil pelo Descorchados 2026. Um vinho complexo, equilibrado, com o característico sensorial de frutas vermelhas, ameixa e cassis, com um toque final de especiarias, pimentão e um leve mentolado. Um vinho espetacular que mostra que a cabernet franc brasileira já é uma das protagonistas das uvas cultivadas no país e seus vinhos tendem a ganhar destaque no mercado nacional e internacional.

No estande da Nova Aliança pudemos degustar ótimos rótulos da Campanha Gaúcha dediferentes marcas do portfólio da vinícola. O espumante da Cerro da Cruz Nature Rosé é elaborado pelo método tradicional com um blend das uvas Chardonnay, Pinot Noir e Tannat. Da Cerro da Cruz também provamos o seu vinho 100% Chardonnay, bem fresco, frutado e límpido. E da marca NOVA provamos o espumante Branco Brut Champenoise, que estava excelente, e o Nova Edizione Speciale 150 Anos Trebbiano que foi feito das uvas Trebbiano Toscano em comemoração aos 150 anos da imigração italiana no Brasil. Um espumante seco, floral e bem cítrico, que lembra peras. E por fim um Tannat Rosé, que é bem leve, no estilo Provence, com o sensorial característico de morango e cereja e final bem refrescante. Vinhos leves, saborosos e ótimos para o nosso clima tropical.

Passamos para a vinícola Basso, da Serra Gaúcha, onde degustamos o Mayos Extra Brut, um ótimo espumante elaborado pelo método tradicional a partir de uvas Chardonnay (60%), Riesling Itálico (15%), Trebbiano (15%) e Glera (10%). Um espumante fresco, saboroso, com toques de pera e de pêssegos, fácil de beber. Também dos pampas gaúchos provamos o vinho Guatambu Potter, um Tannat vinificado em ânforas de concreto. O nome “Potter” significa ceramista em alemão e homenageia o fundador, Hermann Pötter. A ilustração do rótulo faz referência a isso e à técnica ancestral do uso das ânforas. Um vinho com personalidade, que oferece notas de amora e ameixa, com toques de castanhas e um final mentolado. Não à toa é um dos destaques da Vinícola Guatambu.

Da vinícola Manus, de Encruzilhada do Sul (RS), provamos o Manus Nebbiolo. É um Nebbiolo clássico, que matura por 12 meses em barricas de carvalho francês para oferecer aquele sensorial de frutas vermelhas, com notas de notas de pitanga e romã, com complexidade, intensidade e elegância. Da Manus provamos também o ótimo Manus Liberum Alvarinho, um vinho bastante agradável, refrescante, floral com aquele gostinho de damasco e com uma mineralidade no final.

Daí… uma surpresa! Degustamos o vinho Talha-Mar Reserva, um blend de Cabernet Sauvignon (70%) e Syrah (30%) da Vinícola São Patrício de… Goiás! É isso mesmo. Quem diria que o centro-oeste brasileiro, uma das regiões mais quentes do país, seria capaz de produzir vinhos finos como este. A vinícola fica em Anápolis, a 50 Km de Goiânia, a 1.017 metros de altitude, ou seja, com uma amplitude térmica e um inverno seco que propicia o desenvolvimento das uvas. O Talha-Mar é um pássaro que visita a região durante a seca do Pantanal, daí a homenagem. Um vinho intenso, com sensorial de frutas vermelhas, especiarias, tabaco e chocolate, com 12 meses de passagem por barrica de carvalho francês o que lhe dá ainda um leve amadeirado e um final macio e elegante. Que ótima surpresa!

Demos uma guinada para a Argentina para provarmos o Viña 13 Ancellotta, produzido pela Bodega Putruele em San Juan. Ele tem a intensidade das frutas vermelhas, como framboesa, amora e ameixa, um teor alcoólico mais alto (este de 13%) e um final longo e macio. Belo vinho! Também da Argentina, da Amuleto Wine Co, uma vinícola boutique localizada em San Martín, na Zona Leste de Mendoza, experimentamos o Amuleto, um vinho super diferente. Ele é elaborado da uva Freisa, a “parente selvagem ancestral” da Nebbiolo. Ela foi plantada no vinhedo pelo proprietário para ser o seu “amuleto de sorte”. E deu certo! Tanto que para ser fiel às raízes ele tem baixo teor alcoólico, é fermentado com leveduras indígenas, sem clarificação e filtração. Bem interessante. Da mesma vinícola provamos um Bonarda, feito de uma casta subestimada, mas que mostrou que se bem vinificada pode surpreender. Sorte só não basta, precisa ter competência…

Continuando na Argentina, agora pelo Vale do Uco, experimentamos um Cabernet Franc da vinícola Desor. Um ótimo Cabernet Franc Gran Reserva que maturou por 18 meses em barricas de carvalho francês e entregou tudo que a uva pode proporcionar: frutas vermelhas, como framboesa e cereja, tabaco, especiarias, e um terroso meio amadeirado com um final bem macio. Tanto que faturou 93 pontos no Descorchados 2026. Experimentamos também da Desor o seu Blend, um mix de Malbec, Merlot e Cabernet Franc, frutado, com notas de carvalho, chocolate e café, que estava também bem bacana. Duas ótimas opções!

Da Ciclo Andino provamos o Más de Cien Reserva Malbec. Como o nome diz, este Malbec é elaborado de vinhas com mais de 100 anos, localizadas em Calle Cobos, em Perdriel, próximo ao Rio Mendoza, no centro da produção de Malbec argentino a uma altitude de 995 metros. Graças à essa combinação, ele adquire toda a identidade do melhor do Malbec argentino e passa 18 meses maturando em barricas de carvalho francês. O resultado final é um vinho intenso, com sensorial de groselha, cereja, ameixa e um toque de chocolate, e um final longo e elegante. Os 14% de teor alcoólico só assustam no rótulo. Belo vinho! Não à toa levou 95 pontos no guia. Da mesma vinícola provamos o branco Amaneceres, um blend elaborado com uvas Sémillon (65%) cultivadas em Luján de Cuyo, na margem norte do rio Mendoza, além de Sauvignon Blanc (30%) e Chardonnay (5%) da margem sul. Um vinho fresco, com toques de limão, maçã verde e especiarias. Um ótimo branco que faturou 93 pontos…

Ainda pela Argentina provamos o Martir Cabernet Franc da vinícola Lorenzo de Agrelo de Mendoza. Um vinho com sensorial de frutas vermelhas com notas herbais e de pimenta-preta, com 12 meses de maturação em barricas de carvalho francês. É muito frutado, suculento e tem um final seco que é ótimo para acompanhar pratos mais intensos. Um vinho excepcional!

Do Vale do Uco argentino provamos também Gualtallary Malbec da Bodega Altus. O nome da vinícola não é por acaso, pois lá são produzidos vinhos de altitude, a 1.500 metros acima do nível do mar, ao pé da cordilheira dos Andes, com personalidade e refinada potência. Daí acrescente a essas condições a uva Malbec e o trabalho sério da vinícola e o resultado está na garrafa. Um Malbec de cor, personalidade, aroma, sabor de frutas vermelhas com toques de tabaco e especiarias… tudo muito intenso. Belo vinho!

Continuando pela Argentina provamos o Fósil San Pablo Chardonnay da vinícola Zuccardi, também do Vale do Uco em Mendoza. Um vinho floral com um sensorial de maçã e baunilha, bem seco, com acidez equilibrada e uma mineralidade no final. Um Chardonnay delicioso e de personalidade. Da mesma vinícola provamos o Malbec Concreto, que em vez de barricas de madeira foi envelhecido em tanques de concreto. Ele tem aquele sensorial frutado característico de ameixa, amora e cereja e notas herbais e uma mineralidade e frescor no final. Outro excelente Malbec! E da Zuccardi experimentamos também o Q Cabernet Franc, que passou seis meses maturando em barricas de carvalho francês e tem um sensorial de tabaco, pimenta, especiarias e um amadeirado perceptível, mas bem macio e fácil de gostar.

Pausa para um Catena Zapata, sem dúvida uma estrela dos vinhos argentinos. Provamos o Birth of Cabernet, que tem um rótulo belíssimo que exprime a história do surgimento da Cabernet Sauvignon em Bordeaux, fruto do cruzamento entre Cabernet Franc e Sauvignon Blanc, e sua chegada a Mendoza, onde a família Catena cultiva vinhedos de altitude há mais de um século. E dentro da garrafa surge este vinho complexo, encorpado, intenso e sofisticado, com um sensorial de cassis, cerejas, tabaco, grafite e pimenta preta, além de toques de ervas e baunilha resultantes da maturação de 24 meses em barricas francesas. E ainda um final longo, com uma suave mineralidade. Vale a viagem!

Guinada para o Chile para provar o Enclave da renomada Ventisquero. Um Cabernet Sauvignon com um pouco de Cabernet Franc, Carménère e Petit Verdot e 18 meses de maturação em barricas de carvalho francês. Um vinho intenso, complexo, elegante, com um sensorial de frutas vermelhas, como ameixa e cerejas, com notas de cassis e pimenta branca. Um ótimo vinho do que melhor se faz no Chile atualmente com 94 pontos no Descorchados.

Também do Chile provamos o Escudo Rojo Origine, da vinícola Baron Philippe de Rothschild do Vale do Maipo. Um Cabernet Sauvignon refinado, maturado por 12 meses em barricas de carvalho francês. Tem sensorial de frutas negras como cassis, cereja e mirtilo, com notas de especiarias, baunilha, ervas, couro e tabaco. Um vinho equilibrado e bem macio ao final.

Voltamos para a Argentina hipnotizados por uma joaninha… Explicando: os vinhos da Conscientemente viticultores são produzidos no vinhedo biodinâmico em Eugenio Bustos, Vale do Uco, em Mendoza. E a proposta da vinícola é criar consciência sobre a interação respeitosa com o ambiente. A joaninha, símbolo do rótulo, é uma protetora natural da videira e representa a saúde do vinhedo e a ausência de agrotóxicos. Este oferecido pelo próprio Tomas Stahringer é elaborado com uma base de Malbec, com um toque de Cabernet Franc. Viva a joaninha!!!

Continuando na Argentina, no Vale do Uco, em Mendoza, mais precisamente em Gualtallary, provamos o Cabernet Franc Jaier da Sorol. O nome “Jaier” é a pronúncia fonética da palavra “mais alto” em inglês (higher) para enfatizar que ele é proveniente de uma área mais alta e mais fria do Vale do Uco. Um Cabernet Franc tradicional maturado por 12 meses em barricas de carvalho francês que, não à toa, atingiu 94 pontos no Descorchados. Ótimo vinho!!!

De volta ao Vale do Maipo, no Chile, provamos o Dom Cabernet Sauvignon, da vinícola Tabali. Ele traz um sensorial com notas de groselha, cassis, menta, cedro, louro, anis estrelado e um final amadeirado, uma vez que passou 18 meses maturando em barricas de carvalho francês. Ótimo vinho!

De volta à Mendoza na Argentina provamos o La Cúpula Blend de Montaña, da Familia Millán. Ele é um “blend de Malbecs” ou seja, foi elaborado de uvas de 14 terroirs de malbecs diferentes do Vale do Uco. Um vinho que combina complexidade, estrutura e equilíbrio com sabor de frutas vermelhas maduras, chocolate, ervas e especiarias com uma elegante estrutura e um final bem macio.

Da chilena Concha Y Toro, provamos o Marques de Casa Concha Blue Carménère, um vinho sofisticado e elegante, produzido a partir de vinhedos antigos do Vale do Cachapoal com 14 meses de maturação em barricas de carvalho francês. Ele é intenso, floral, com sensorial de frutas vermelhas e especiarias, bem equilibrado. Um Carménère premium que representa o melhor do trabalho dessa tradicional vinícola com esta icônica casta chilena.

Ainda pelo Chile experimentamos da Dagaz o Tierras de Pumanque Cabernet Sauvignon elaborado de vinhas do Vale de Colchagua. Um vinho complexo, elegante, com sensorial de frutas vermelhas e especiarias, notas de grafite e muita mineralidade. Um vinho bem interessante.

E finalizamos nossa degustação com o Preludio da Familia Deicas. Nascido em 1992, é o primeiro grande vinho de guarda uruguaio. Ele segue um método tradicional bem diferente. O vinho é envelhecido em barricas de três anos e depois engarrafado não filtrado em garrafas escuras com rolhas especiais, continuando a maturar em caves subterrâneas por meses. O resultado é um vinho que entrega o sensorial de frutas vermelhas, baunilha, chocolate, especiarias e cogumelos, com notas de pinheiro e café, com final macio e persistente. Excelente vinho!

Há de destacar também que os eventos de lançamento do Guia Descorchados são uma oportunidade ímpar não só para degustar uma parcela das centenas dos vinhos avaliados (é impossível provar todos), mas também interagir com produtores, enólogos e todos os entusiastas que valorizam essa verdadeira imersão no universo do vinho sul-americano. Parabéns a todos os envolvidos!

Vinícolas presentes

Em São Paulo, estiveram presentes no evento de lançamento as vinícolas argentinas Agustín Lanús, Altar Uco, Amuleto Wine Co, Bodega Lavaque, Bodega Putruele, Bodega Staphyle, Catena Zapata, Ciclo Andino, Cielo y Tierra, Conscientemente Viticultores, Doña Paula, El Enemigo, Familia Millán, Finca Decero, Finca Desor, Gualtallary Wines, Huentala, Kaiken, La Coste de los Andes, Lorenzo Wines, Lui Wines, Malma, Mil Demonios, Mil Suelos, Otronia, Pulenta Estate, Raquis, Rutini, Solito Va – Tutu Wines, Sophenia, Sorol Wines, Sottano, Susana Balbo, Terrazas de los Andes, The Wine Plan, Viña Artesano, Vinos de la Luz, Vinos de Potrero, Wine Is Art e Zuccardi.

O Brasil também esteve representado por Alma Rios, Basso, Casa Almeida Barreto, Guatambu, Manus, Miolo, Nova Aliança, Sacramentos, São Patricio e Vivalti. Do Chile, participam Barón Philippe de Rothschild, Bouchon, Carmen, Casas de Bucalemu, Casas del Bosque, Casas Patronales, Clos de Luz, Concha y Toro, Cono Sur, Cousiño Macul, Dagaz, De Martino, El Aromo, El Principal, Emiliana, Familia Viñedos Chadwick, Invina, Las Veletas, Longaví, Lopez Pangue, Miguel Torres, Montgras, Morandé, Odfjell, Perez Cruz, Requingua, Santa Ema, Santa Rita, Siegel, Tabalí, Tarapacá, Valdivieso, Ventisquero, Viña Montes e Viñedos de Aguirre.

Completaram o panorama sul-americano produtores do Uruguai, como Bodega Cerro Chapeu, Bodega Cerro del Toro, Bodega Favretto Dragone, Bodega Garzón, Bodega Pablo Fallabrino, Bodega Zubizarreta, Bouza, Bracco Bosca Winery, Cofradia de la Sierra, El Capricho Winery, Família Deicas, Pizzorno Family Estates, Varela Zerranz e Viña Edén, além do Peru, representado pela Viñas Queirolo. Mais informações no site: www.adegaonline.com.br e nos Instagram: @guiadescorchados @revistaadega