A maior edição da ProWine São Paulo da história mostrou sua força com participação recorde e o fechamento de muitos negócios
A ProWine São Paulo 2026 encerrou sua sétima edição consolidando seu status de maior feira profissional de vinhos e destilados das Américas. Com recorde de público, o evento recebeu mais de 25 mil visitantes. Durante três dias, o Expo Center Norte reuniu mais de 2.000 produtores, importadores, distribuidores, compradores e profissionais do Brasil e de 43 diferentes países. Pela primeira vez, a feira ocupou dois pavilhões oferecendo uma programação marcada pela diversidade de rótulos, pelo intercâmbio de conhecimento e, sobretudo, pela geração de negócios.
Há uma razão econômica para tantos sotaques dividirem espaço na PWSP. O mercado brasileiro entrou com mais força no radar internacional, e os números da feira ajudam a enxergar esse interesse: entre 2025 e 2026, o total de expositores cresceu 9%, enquanto a presença de produtores estrangeiros avançou 40%. Portugal, Espanha, Itália, França, Chile e Argentina aumentaram suas representações, ao mesmo tempo que novos nomes desembarcaram em São Paulo procurando uma porta de entrada no país.




O interesse encontra um setor que movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões em 2025, viu o segmento super premium crescer perto de 15% e os espumantes alcançarem o recorde de 4,5 milhões de caixas comercializadas. Na outra ponta está um consumidor com um maior interesse, mais amadurecido e disposto a transitar por rótulos de diferentes origens, estilos e faixas de preço. Para conquista-los, muitos compradores do setor estiveram presentes à feira comparando propostas e escolhendo parte do que chegará ao mercado nos próximos meses ocupando uma prateleira, uma adega ou a carta de um restaurante.
A ProWine São Paulo demostrou também que pode reunir na feira empresas de diferentes portes e estágios de desenvolvimento, criando oportunidades tanto para quem busca entrar no mercado quanto para quem pretende ampliar sua atuação.
“A edição de 2026 da ProWine confirmou uma mudança importante no papel do evento: mais do que integrar o calendário de feiras do setor, a PWSP passou a fazer parte do planejamento comercial das empresas”
Malu Sevieri, organizadora da ProWine São Paulo
Outra novidade deste ano foi uma abertura maior para os destilados, com direito a um concurso de cachaça, o Cachaça Classics Cocktails, vencido pela bartender Rosângela Ísis, e a cerimônia de entrega do Prêmio Melhores do Ano 2026, promovido pela Associação Brasileira de Sommeliers – São Paulo (ABS-SP), em parceria com a Revista ADEGA. Valquíria Pereira foi eleita melhor sommelier de vinhos; Isabela Pelegrini, personalidade do ano; Marcelo Serrano o melhor bartender; e o Varanda Grill, a melhor carta de vinhos. A cerimônia contemplou ainda especialistas em sake, cerveja, café, chá, azeite, mel e charutos, refletindo a diversidade de conhecimentos que hoje fazem parte do universo da sommellerie.
A Feira
O Portal Mesa de Bar esteve presente nos três dias da ProWine São Paulo 2026 e faz a seguir um resumo do que provou por lá. Aliás, é preciso destacar que a quantidade de estandes e de rótulos tornou a tarefa de degustar uma escolha difícil, pois certamente muita coisa deixou de ser provada. Mas vamos lá…
Começamos nosso tour pelos produtores brasileiros do Rio Grande do Sul. Três filhos de viticultores, André, Fabiano e Gisele Valduga (primos dos protagonistas da Casa Valduga) viraram sócios e fundaram em 2003 uma loja batizada de Adega Refinaria. Em 2011, para comemorar seus oito anos de existência fundaram a Vinícola Otto (oito em italiano) numa área de altitude na Serra Gaúcha. De lá para cá, a marca consolidou-se por apostar em vinhos de produção limitada, sem passagem por barricas para evidenciar o potencial das uvas. Provamos o Otto Sauvignon Blanc que é exatamente isso: fresco, frutado no ponto certo, aromático e muito agradável de beber. Passamos para o ótimo Otto Cabernet Franc que tem um leve aroma de menta e sensorial fresco caraterístico de frutas vermelhas. O Otto Pinot Noir é elegante, com muita cereja e framboesa. E finalizamos com o espumante Otto Sur Lie cremoso, com um toque floral e um abacaxi intenso. Belos vinhos!!










Daí demos de cara com o estande da Maison Forestier… Foi muito bacana porque a Maison Forestier é uma das marcas mais clássicas da história do vinho no Brasil. Nascida em 1750, na França, chegou ao país em 1970 com vinhos importados que fizeram tamanho sucesso que, em 1977, apostou em uma produção própria em Garibaldi, na Serra Gaúcha, que hoje faz parte do grupo Gran Legado. Lá provamos o Maison Forestier Cabernet Franc, feito 100% desta uva que apreciamos bastante, que passa 10 meses em barricas de carvalho e entrega o sensorial característico de frutas vermelhas, tabaco e especiarias com muita elegância.
Na sequência provamos o Le Franc produzido pela Vinícola Don Guerino na região de Alto Feliz, na Serra Gaúcha. Ele é outro ótimo 100% Cabernet Franc que não deixa dúvidas de que esta uva se adaptou perfeitamente à região. Este, em especial, passou 12 meses maturando em barricas de carvalho francês (90%) e americano (10%) e ficou com 14,5% de teor alcóolico. Belíssimo vinho!
E se é para enaltecer o Cabernet Franc, experimentamos outro, o Coleção Especial elaborado pela Vinícola Cristófoli em Pinheiro Machado, na Serra do Sudeste (ou Campanha Gaúcha), no extremo sul do Rio Grande do Sul. Ele é um vinho tinto seco, encorpado, de edição limitada a apenas 700 garrafas que maturou por 12 meses em barrica de carvalho francês e entrega o sensorial de frutas vermelhas combinadas com especiarias e notas de anis, especiarias e um amadeirado ao final. Um Cabernet Franc clássico. Da mesma vinícola, provamos o seu Coleção Tannat, uma vez que esta região na fronteira com o Uruguai tem vocação para bons vinhos desta casta. E não nos decepcionamos. Ele utiliza a técnica de maceração carbônica, o que mantém a sua potente sensação de frutas vermelhas, mas o deixa mais macio, fresco, aromático e cremoso.
Passamos para o Corte Bordalês, produzido pela vinícola boutique gaúcha areA15. Ele é um vinho tinto de produção limitada inspirado nos clássicos cortes da região de Bordeaux, na França. Combina as variedades Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Malbec de diferentes terroirs da Serra Catarinense, Serra do Sudeste e Serra Gaúcha. Matura por no mínimo seis meses em barris de carvalho americano e francês. Um vinho macio, com sensorial intenso de frutas vermelhas, especiarias, baunilha, tabaco, cacau e couro.
Hora de um espumante, mais precisamente o Millésime Brut 2021, produzido pela Casa Pedrucci em Garibaldi, na Serra Gaúcha, um dos mais premiados do Brasil. Ele é um blend de Chardonnay (55%), Riesling Itálico (25%) e Pinot Noir (20%) produzido pelo método tradicional (champenoise), com 36 meses de maturação em caves, sendo que parte do Chardonnay (40%) amadurece em barricas de carvalho francês por quatro meses. Na taça você sente as notas de frutas, principalmente pêssego, com um leve toque amadeirado e perlage persistente.
O Single Vineyard Malbec é produzido pela Vinícola Quinta Don Bonifácio em Caxias do Sul na Serra Gaúcha. O nome já diz tudo: um 100% Malbec de single vineyard (vinhedo único), a 805 metros de altitude, sem passagem por madeira para preservar a expressão da fruta e do terroir. Um vinho fresco, frutado, com notas marcantes frutas vermelhas, baunilha e cacau e um final bem agradável.










Degustamos em seguida o Barbera Piemonte, um vinho produzido pela Vinícola Salvati & Sirena, de Bento Gonçalves (RS). Aqui vale um pouco de história. A Barbera Piemonte foi uma das primeiras variedades difundidas na Serra Gaúcha vindas região de Piemonte, no norte da Itália. Ela quase despareceu com a chegada das variedades francesas, mas foi resgatada pela vinícola que buscou valorizar a influência da cultura italiana na região. Ele envelheceu por 12 meses em barricas de carvalho gerando um vinho intenso, tanto de coloração, aroma e paladar de frutas vermelhas, uvas passas, couro, baunilha e um amadeirado ao final. Bela experiência! Da linha Tradizionale da mesma vinícola provamos um 100% Tannat, também de coloração vermelho-rubi intensa, com o sensorial típico da uva de frutas vermelhas intensas, especiarias, couro e madeira.
O Cainelli Tempo é uma linha de vinhos tintos produzida pela Vinícola Cainelli, de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O blend de Cabernet, Marselan e Ancellotta matura por seis meses em barricas de carvalho. Um vinho seco, encorpado e muito interessante, tanto que é premiado com medalhas de ouro nacionais e internacionais.
Passamos para o Rebento, produzido pela Vinícola Intento de diferentes terroirs. Ele é um blend de Marselan (Encruzilhada do Sul), Cabernet Franc (Pinheiro Machado), ambos da Serra do Sudeste, e Teroldego (Sant’Ana do Livramento) na Campanha Gaúcha. Ele maturou por oito meses em barricas de carvalho francês que deu a ele um frutado intenso, com toques de cacau, baunilha e hortelã. Um vinho seco, porém, macio, bem equilibrado. Da mesma vinícola provamos o Corte 01, um blend de edição limitada de Merlot e Tannat do terroir de Encruzilhada do Sul. O Tannat maturou por 12 meses em barricas de carvalho francês e o Merlot passou metade desse tempo em carvalho francês e a outra em carvalho americano. Ao final, foi adicionado 5% de Tannat sem passagem por barrica para dar um frescor ao blend. O resultado foi um sensorial de frutas vermelhas, com toques de especiarias, hortelã, caramelo, baunilha e chocolate. Um vinho que equilibrou bem a maciez da Merlot com a potência do Tannat.
O Tazza Gran Corte é produzido pela Tazza Enologia Autoral que combina uvas de dois terroirs brasileiros: Encruzilhada do Sul e Serra Gaúcha. Ele é um blend de Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Tannat e Saperavi. Essa última uma uva emblemática da Georgia que está se adaptando muito bem no sul do Brasil. Ele passa 30 meses em barricas de carvalho francês e entrega um sensorial de frutas vermelhas negras, café, cacau, coco, tabaco e chocolate amargo. Um belo vinho, macio e bem equilibrado.
Hora de visitar o estande da Vinícola Garibaldi, da Serra Gaúcha. Lá provamos um belo Ancellotta que amadurece por 10 meses em barricas de carvalho francês e americano. Tem um sensorial intenso de frutas negras, como mirtilo e ameixa, com notas de especiarias, tabaco e um amadeirado. E aproveitamos para provar dois espumantes da vinícola elaborados pelo método charmat. O Extra Brut é um blend de Chardonnay e Pinot Noir que lembra bastante abacaxi e baunilha, e o Rosé Brut feito das uvas Trebbiano, Prosecco e Ancellotta e remete ao morango e framboesa.
Guinada para uma série de produtores de Santa Catarina, que cada vez mais surpreende pelos seus bons vinhos. Começamos pelo Além Mar Gran Reserva, produzido pela Vinícola Villaggio Grando na região de Água Doce, no Planalto Catarinense. Ele é um blend de Cabernet Franc, Merlot e Malbec de vinhedos de 20 anos de idade a 1.300 metros de altitude, com amadurecimento de 18 meses em barricas de carvalho francês. O sensorial é de frutas vermelhas maduras, com notas de menta, especiarias, café e tabaco. Um vinho encorpado, intenso e elegante.










Hora de um Minuano Cabernet Franc da Vinícola Alto dos Ventos, de São Joaquim, na Serra Catarinense a 1.350 metros de altitude. Apesar da vinícola ter apenas quatro anos ela produziu um excelente vinho, com sensorial intenso de frutas negras, framboesa e especiarias, muito equilibrado e elegante. E repetiu a excelência no Venturi, seu Petit Verdot, um vinho potente e macio, com notas de frutas vermelhas negras e chocolate amargo. Bela dupla!
Hora de um espumante, mais especificamente o Fenice Nature da Vinícola Santa Augusta, de Videira, na Serra Catarinense. Ele foi feito pelo método tradicional (champenoise) com Chardonnay (70%) e Pinot Noir (30%) de vinhedos a mais de mil metros de altitude. E amadureceu por 30 meses em autólise, trazendo notas de brioche e amêndoas. Belo espumante!
Hora de um Super Toscano produzido pela Vinícola Vivalti, de São Joaquim, na Serra Catarinense, a 1.300 metros de altitude. Um blend de Cabernet Sauvignon, Sangiovese e Merlot, com amadurecimento de 12 meses em barricas de carvalho francês. Seu sensorial combina frutas vermelhas e negras, chocolate, ervas e especiarias. Um vinho equilibrado e vibrante, com um final macio bem agradável mostrando a força da Sangiovese da região.
Passamos para o Thera Sauvignon Blanc da Vinícola Thera, de Bom Retiro, na Serra Catarinense. Aqui não há passagem por barrica para que a uva mantenha o seu frescor, com um sensorial forte de frutas cítricas, como maracujá, capim-santo e menta, além de um toque mineral e um final levemente salino. Da mesma Thera provamos o seu Malbec, que é feito de 80% Malbec e 20% Merlot com 12 meses de maturação em barricas de carvalho francês. O resultado é o clássico sensorial de frutas vermelhas, especiarias, café e chocolate amargo típico do Malbec. Um vinho macio, encorpado e muito elegante.
Degustamos o Cabernet Sauvignon da Quinta da Neve, produzido em São Joaquim, na Serra Catarinense, vindo de vinhas velhas plantadas em 1999 a 1.200 metros de altitude. Ele matura por 12 meses em barrica de carvalho francês e apresenta as características típicas desse varietal, com muita fruta vermelha e bem encorpado. E também provamos o Sauvignon Blanc da vinícola, sem passagem por madeira, que também segue a linha clássica, com sensorial refrescante de pêssego e maçã verde e um final que lembra capim-santo.
A Vinícola Villa Francioni completou 25 anos em setembro de 2026, celebrando sua história como pioneira na produção de vinhos finos a 1.300 metros de altitude em São Joaquim, na Serra Catarinense, com Villa Francioni Edição Especial: um blend de Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Merlot, com rótulo assinado pelo artista plástico Siron Franco. Um vinho pensado para ser complexo e expressivo, combinando frutas vermelhas e notas de especiarias e um final marcante, elegante e persistente. Da mesma vinícola provamos o Michelli. Inspirado nos Super Toscanos, ele é feito de 80% Sangiovese, 10% Cabernet Sauvignon e 10% Merlot apenas de safras excepcionais. Matura por 36 meses em barricas novas de carvalho francês para gerar um vinho intenso, com 14% de teor alcoólico, com sensorial de cereja, framboesa, amoras, cacau e um toque de amadeirado. Um vinho elegante de muita personalidade. E finalizamos como o Agripina Lote 1, um Nebbiolo elaborado por um blend das safras de 2012, 2015, 2017 e 2018 que maturou por 4 anos em barricas de carvalho francês novos e mais 24 meses de afinamento em garrafa. Um vinho feito com muito cuidado para entregar uma sensorial de ameixas e amoras, com notas de couro e um amadeirado defumado em segundo plano. Extremamente complexo e elegante.










Voltando às vinícola do Rio Grande do Sul, experimentamos o Cerne Brasileiro, um espumante lançado na ProWine pela Vinícola Courmayeur, de Garibaldi, na Serra Gaúcha. Elaborado a partir das uvas Chardonnay e Pinot Noir pelo método charmat, seu grande diferencial é a maturação em duas madeiras brasileiras. Ele tem uma coloração mais dourada e aromas amadeirados e florais vindos das madeiras brasileiras um sensorial clássico de maçã e abacaxi. Um espumante refrescante, cremoso e com uma perlage fina e persistente de final bem marcante.
O Laranja Jovem (Corte de Safras) é um vinho laranja produzido pela Vinícola Cerro de Pedra, de Pinheiro Machado, na Campanha Gaúcha. É um blend de Chardonnay e Sauvignon Blanc que permanece 50 dias em tanques de inox em contato com as cascas, o que lhe dá a coloração alaranjada. O sensorial remete a mel, flores, erva-doce e tangerina, com um toque amendoado e mineral. Um vinho bem refrescante.
No estande da Miolo provamos um vinho da Bodega Renacer, de Luján de Cuyo, Mendoza, na Argentina, adquirida pelo Grupo em dezembro de 2024. O Renacer Milamore é um blend de Malbec, Cabernet Sauvignon, Bonarda e Cabernet Franc que passa pelo processo de appassimento, no qual as uvas descansam após a colheita para perder parte da água, concentrando açúcares, aromas e sabores. Depois de elaborado, ele matura por 12 meses em barricas de carvalho francês entregando um sensorial de frutas vermelhas maduras, mel, baunilha e especiarias. Um vinho aveludado, encorpado com um leve dulçor ao final.
E no estande da Casa Valduga provamos duas cervejas! Mas calma… A primeira foi uma Italian Grape Ale Gewurztraminer, ou seja, uma cerveja artesanal com uma witbier como base e com adição de uvas Gewurztraminer produzida pela Leopoldina (do grupo Famiglia Valduga) na Serra Gaúcha. É uma viagem incrível pois ela é uma cerveja, um vinho e um espumante ao mesmo tempo, já que a segunda fermentação acontece na garrafa. O teor alcoólico é de 9,5% e tem apenas 10 IBU de amargor. O sensorial é incrível, combinando o frescor floral e o cítrico que remete a lichia, rosas e especiarias, características da uva Gewurztraminer. Uma cerveja seca, com uma textura suave e aveludada que vem em garrafa de 750 ml rolhada como um espumante para lá de elegante. Só para constar, ela já faturou Medalha de Ouro no World Beer Awards 2024 como Melhor do Brasil e Melhor Italian Grape Ale do Mundo. E a sua “irmã mais velha”, a já conhecida Leopoldina Old Strong Ale é sempre um prazer inenarrável de se degustar. Ela passa 10 meses em barricas de carvalho francês e tem um segundo amadurecimento em garrafa, ou seja, tem potencial de envelhecimento e melhora com o tempo, assim como os grandes vinhos. Seu sensorial remete a frutas secas, nozes, mel e vinho do porto, com um final marcante pelos 11% de teor alcóolico e um amargor de 30 IBU. Uma cerveja para se tirar o chapéu!!!
Domno Wines é a importadora do Grupo Famiglia Valduga. E no estande pudemos provar um belo rótulo português trazido por ela: o Caves Velhas Garrafeira Dão DOC Tinto. Ele é produzido pela Enoport Wines na região do Dão, elaborado a partir das castas Alfrocheiro (40%), Tinta Roriz (40%) e Touriga Nacional (20%) com 12 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês. Aqui o sensorial está mais para frutas vermelhas com notas de madeira e folhas de pinheiro. Um vinho encorpado, complexo, de final longo e persistente.
De repente, um rótulo com um Syrah enorme chamou a atenção e fomos conferir. O Vinho Fino Tinto Seco Syrah é produzido pela Vinícola Cavalleri, de Bento Gonçalves, no Vale dos Vinhedos. Ele matura por cinco meses em barricas de carvalho francês e entrega um sensorial de frutas vermelhas clássico (mirtilo, ameixas e amoras) com notas de especiarias. Um vinho aveludado, com leve defumado, fiel às características da uva. Provamos também o espumante Cavalleri Brut Tradicional produzido pelo método champenoise com 36 meses maturação e segunda fermentação na própria garrafa. Elaborado com Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico, ele remete a pão, amêndoas, avelã e frutas secas. É bem cremoso e com uma perlage bem persistente.
O Dom Cândido Gran Reserva Cabernet Sauvignon é um vinho tinto de destaque, produzido pela Vinícola Dom Cândido no Vale dos Vinhedos (RS). Ele é um 100% Cabernet Sauvignon que amadurece por 14 meses em barricas de carvalho francês seguidos de 12 meses de envelhecimento em caves. Tem uma cor vermelha intensa e um sensorial idem de frutas vermelhas maduras, baunilha e amadeirado. É um vinho encorpado, elegante e com final persistente. Vale destacar que ele é considerado um marco histórico por ser um dos primeiros Gran Reserva no Brasil e conquistou Medalha de Ouro e 91 pontos na Grande Prova de Vinhos do Brasil 2025.










O Larentis Gran Reserva Sta Lúcia Merlot D.O.V.V. 2022 é um vinho tinto seco de parcela única produzido pela Vinícola Larentis no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha. Ele amadurece por 15 meses em barricas de carvalho francês e surpreende por ser um Merlot complexo, com sensorial de frutas vermelhas maduras (amora e framboesa) e um bom amadeirado. Um vinho bem equilibrado, macio e agradável. Ele também foi premiado com Medalha de Ouro no 13º Brazil Wine Challenge (2026).
Guinada radical para provar o Microlote Chardonnay, um vinho branco fino seco produzido pela Vinícola UVVA, de Mucugê, na Chapada Diamantina, na Bahia. A vinícola tem se destacado por produzir vinhos sofisticados em uma região relativamente nova com vinhedos a 1.150 metros de altitude. Este Chardonnay repousou sobre as borras finas (sur lie) e passou 6 meses em barricas de carvalho francês. O sensorial revelou aromas florais e de frutas como abacaxi e pêssego, com toques de baunilha, chocolate branco e um final mineral. Um vinho cremoso e fresco.
E terminamos o primeiro dia de degustações com o Kaiken Frankly Cabernet Franc, elaborado pela vinícola argentina Kaiken Wines que produz diferentes rótulos de Cabernet Franc no Valle de Uco e Luján de Cuyo na região de Mendoza. Este, em especial, vem de vinhedos a 1.250 metros de altitude e surpreendeu por extrair o melhor dessa uva, com um sensorial que combina cassis, groselha, baunilha e pimenta preta com um final extremamente macio e elegante.
O Segundo dia
É impossível ter uma boa ideia do que a ProWine oferece em apenas um dia. Sendo bem sinceros, achamos que seria necessária uma semana! Mas vamos tentar nos três dias da feira trazer o que vimos de interessante por lá. Vamos ao segundo dia.
Abrimos com um passeio pelos vinhos uruguaios. Aqui vale um comentário. Os vinhos uruguaios são subestimados, lamentavelmente por aqui também. Nos últimos anos, o país mostrou que tem uma produção de altíssimo nível e que pode frequentar as cartas e as melhores adegas do mundo. E não é só o Tannat, que se consolidou como a uva emblemática do país, mas outras castas se adaptaram perfeitamente aos terroirs e vale destacar também a subida da nova geração de viticultores que usa técnicas e equipamentos modernos para extrair o melhor de cada variedade. Vamos lá?
Começamos com o Mataojo Reserva Tannat. A Vinícola Mataojo é bem próxima à represa de Aguas Blancas, em Solís de Mataojo, a apenas 30 km do oceano. Ela ilustra perfeitamente o que dissemos. Nos últimos 12 anos a Bodega foi sendo aperfeiçoada e hoje conta com uma variedade de seis uvas: Tannat, Merlot, Touriga Nacional, Albariño, Marselan e Cabernet Sauvignon. Este que provamos, por sinal, é um excelente Tannat. Ele tem um sensorial típico de frutas maduras como cereja e amora, além de notas de tabaco, eucalipto e baunilha. Um vinho intenso, encorpado, seco, mas macio e equilibrado ao final, pois nem de longe dá para sentir os 15% de teor alcóolico.
Passamos para o Cetus Cuvée que é o vinho tinto ícone da vinícola Alto de la Ballena, localizada em Maldonado, perto de Punta del Este, a poucos quilômetros do oceano. Aqui outra confirmação do que dissemos, pois a Bodega foi fundada do zero com todas as técnicas modernas em 1998 e até hoje é gerenciada pelo jovem casal Paula Pivel (enóloga) e Alvaro Lorenzo. O Cetus é um blend premium de Cabernet Franc (55%), Merlot (35%) e Syrah (10%). O sensorial combina frutas vermelhas e negras maduras, como ameixas e framboesas, com notas de chocolate amargo, baunilha, tabaco, especiarias e um leve mentolado. Um vinho potente, elegante, com um final macio e agradável. Belo vinho! E não resistimos e provamos o seu Viognier, sem passagem por madeira, mas com amadurecimento sur lie por cerca de 7 meses. Daí ele revela um sensorial floral e cítrico, que remete a pêssego, damasco e pera. Um vinho com excelente equilíbrio entre frescor e cremosidade extraindo o máximo dessa variedade de origem francesa no Uruguai.
O Cantera Montes de Oca Especial Tannat do terroir “Peñarol Viejo” é produzido pela vinícola familiar Cantera Montes de Oca, localizada em Canelones, a 18 quilômetros do centro de Montevidéu. Apresenta um sensorial que lembra frutas vermelhas, cassis, chocolate e especiarias. É um vinho intenso, estruturado e de perfil encorpado típico da casta.
O Montes Toscanini Criado en Roble Tannat é produzido pela Vinícola Montes Toscanini também na região de Canelones. O “roble” significa que ele amadureceu por 15 meses em barricas de carvalho francês. Este Tannat barricado mostra a potência das frutas negras e vermelhas maduras, com notas de chocolate, especiarias, tabaco, café e um final defumado. Um vinho encorpado, potente, com final bem aveludado.
Lembra do Edinson Cavani? O centroavante craque da seleção uruguaia está com 39 anos e sem clube após rescindir seu contrato com o Boca Juniors em julho desse ano. Mas o que poucos sabem é que, paralelamente, ele dedica-se à sua marca de vinhos, a Cavani Wines. Escolhe pessoalmente as melhores parcelas de colheitas da Bodega Carrau e da Finca Giacobbe para criar vinhos premium que até estampam no rótulo a sua marca pessoal de comemoração de um gol. Na ProWine tivemos o prazer de provar dois de seus vinhos. O Cabernet Franc Premium é envelhecido por 12 meses em barricas e entrega o sensorial típico de frutas vermelhas, ameixa, alcaçuz, baunilha e tabaco. Um vinho muito equilibrado, macio, elegante e extremamente agradável. E o Petit Manseng é feito dessa casta branca de origem francesa bem antiga, de alta acidez e que acumula muito açúcar, então havia uma curiosidade maior pelo resultado. Ele amadurece por 15 meses de em barricas e passa pela tradicional técnica de bâtonnage. No sensorial, flores brancas e notas de damasco, frutas cítricas, mel e tostado. Um vinho branco interessante, cremoso, com acidez marcante e um leve final mineral.










O Bodegas Carrau Tannat Amat é produzido pela tradicional Bodegas Carrau, elaborado com uvas 100% Tannat cultivadas na região de Las Violetas, em Canelones. Matura por 18 meses em barricas de carvalho francês e americano. Seu sensorial revela um floral discreto e frutas vermelhas e negras (framboesas, ameixas, amoras e cassis), especiarias, chocolate, café e um tabaco vindo do amadeirado. Um clássico Tannat uruguaio. O nome “Amat” é uma homenagem a Francisco Carrau Amat (1790–1860), pioneiro no plantio de uvas tintas na Catalunha, Espanha, que batizou a vinícola.
O Diego Spinoglio Single Vineyard Cabernet Franc é produzido pela Bodega Spinoglio na região da Sierra de Mahoma, em San José, a cerca de 20 km do centro de Montevidéu. Ele passa 12 meses maturando em barricas de carvalho francês para apresentar um sensorial de frutas vermelhas maduras, tabaco, especiarias e ervas, com toques de ameixa, mentol e grafite. Um vinho de alta acidez e de boa textura, com final longo e macio. Um excelente Cabernet Franc.
Antigua Bodega é uma vinícola familiar histórica, fundada em 1928, em Santos Lugares, Canelones, e atualmente é administrada pela sexta geração da família. O Abasto Reserva Tannat tem passagem por barricas de carvalho e traz um sensorial de ameixas secas, couro e especiarias. Um vinho tinto encorpado, aveludado e de boa persistência no final que já no rótulo recomenda que ele seja um parceiro do churrasco…
Outra vinícola de Canelones, a Bodega J. Chiappella produz um Marselan diferente, bem intenso, com 8 meses de amadurecimento em barris de carvalho americano e francês. O sensorial tem um floral combinado a muita fruta vermelha, chocolate, especiarias, um defumado e um leve toque adocicado de mel. A “mariquita” (joaninha) do rótulo carrega um forte simbolismo ligado à viticultura sustentável e à proteção natural das videiras da vinícola. Bom sinal!
O Ombú Tannat da Vinícola BraccoBosca, da região de Atlántida, também em Canelones, traz aromas de frutas secas e frescas, com notas de chocolate, flores e especiarias. Um vinho intenso, encorpado, com toda a tipicidade da casta, mas muito equilibrado e com ótimo frescor. O desenho da árvore no rótulo representa um Ombú, uma árvore nativa e muito simbólica da propriedade e da cultura da região, com galhos que se misturam a revoadas de pássaros. Os uruguaios gostam de fazer referência à natureza em seus rótulos.
O Cofradía de la Sierra Petit Verdot é produzido pela Vinjados Cofradía de la Sierra, localizada em Sierras del Carapé / Pueblo Edén, em Maldonado, a uns 140 km de Montevideo e a cerca de 30 minutos de Punta del Este que se caracteriza por vinhedos de altitude e pela produção de vinhos de intervenção mínima. Este Petit Verdot tem um forte floral e um sensorial que remete a frutas vermelhas e negras, como amora, mirtilo e cereja, e um final aveludado surpreendente.
Outra vinícola de Canelones, a Favretto Dragone, produz uma linha interessantíssima de vinhos Reserva com um perfil bem típico de cada casta. O Viognier Reserva Sur Lie é um vinho branco seco que matura por 9 meses sobre as borras (sur lie) com finalização de fermentação em barrica de carvalho americano. Traz um sensorial frutado que remete a pêssego, damasco, pera e notas de baunilha e um leve amadeirado vindo do carvalho. Um vinho seco, mas bem refrescante. Provamos também o Cabernet Sauvignon, com cerca de 12 meses maturando em barricas de carvalho, trazendo um sensorial de frutas vermelhas maduras, pimentão, figo e um toque de baunilha. Um vinho potente com bom potencial de guarda. E o Tannat com sensorial de frutas maduras como ameixa, figo, passas, tabaco e chocolate amargo, com toques de baunilha vindos do amadurecimento de 12 meses em barricas de carvalho. Um Tannat clássico, seco, redondo e equilibrado. Destaque também para o design dos rótulos que reproduzem um céu estrelado e para o fato de que todos são produzidos em edição limitada, com garrafas numeradas.
Finalizado o passeio pelos vinhos uruguaios, voltamos nosso olhar para rótulos de outros países. E começamos pelo australiano Château Tanunda 100 Year Old Vines Shiraz. Trata-se de um icônico vinho tinto australiano produzido pela Château Tanunda com uvas de vinhas centenárias cultivadas em regime de sequeiro no histórico Barossa Valley, a cerca de 60 quilômetros a nordeste de Adelaide. Ele matura por 24 meses em barricas de carvalho francês e exibe um sensorial de frutas vermelhas maduras, amora preta, pimenta preta, alcaçuz, violeta, cedro, tabaco, chocolate amargo e especiarias. Um vinho intenso, denso, com um final extremamente longo e um teor alcóolico de 14,5%. Um vinho premiado com justiça por grandes pontuações de críticos internacionais.










Degustamos outro grande vinho australiano, o Grand Barossa Dry Riesling 2024, um branco seco também produzido pela Vinícola Château Tanunda no Vale do Barossa com uvas vindas de das mesmas parreiras com mais de 100 anos. Tem um sensorial forte de limão siciliano e lima, com um toque de pêssego e gengibre. Um vinho cítrico, macio e suave, com final seco e mineral.
De volta à Argentina, mais precisamente à Vista Flores, no Valle de Uco, em Mendoza, provamos o La Chouette Blend produzido pela Bodega Monteviejo. Um 50% Cabernet Franc e 50% Cabernet Sauvignon de uvas cultivadas a 1.100 metros de altitude. Amadurece por 12 meses em barricas de carvalho francês seguido de no mínimo 6 meses em garrafa. Seu perfil sensorial combina um floral com frutas vermelhas e pretas, pimenta branca, coco e baunilha. Um vinho encorpado, suculento, cremoso e redondo.
Também produzido pela Bodega Monteviejo, na mesma altitude, com o mesmo tempo de amadurecimento, provamos o Petite Fleur Cabernet Franc. Aqui os 100% de Cabernet Franc mostram sua força, com um sensorial de frutas negras e vermelhas, pimentão, especiarias e ervas, com toques de baunilha, chocolate e um amadeirado. Um vinho de alta qualidade, complexo, sedoso e com acidez e frescor bem equilibrados. Da mesma região provamos o Malacara Malbec produzido pela Vinícola Kauzo Estates. Aqui é o caso do Malbec clássico, com muita fruta vermelha madura, com notas de especiarias. Um vinho denso, potente, equilibrado e de final macio e agradável.
Hora de outro clássico de Mendoza: o Montchenot Gran Reserva 5 Anos produzido pela histórica Bodegas López. Ele é um blend de 70% Cabernet Sauvignon, 20% Merlot e 10% Malbec que passa 18 meses em barricas de carvalho francês seguido de 5 anos de repouso em garrafa antes de chegar ao mercado. Ele tem um sensorial de frutas negras, com notas de tabaco, especiarias, couro e um amadeirado bem perceptível. Um vinho tinto seco, mas aveludado, com um final longo e persistente. E provamos também a versão 10 anos, com três anos de amadurecimento em tonéis de carvalho francês e o restante do tempo em garrafa nas caves da vinícola. Ele entrega um sensorial idêntico ao do de 5 anos, porém mais intenso, com notas adicionais de baunilha e cacau e um final mais amadeirado. São dois vinhos clássicos e muito bons.
Provamos dois vinhos da Bodega Benegas, de Cruz de Piedra, em Mendoza. O Benegas Lynch Cabernet Franc é um vinho tinto ícone da vinícola, produzido com 100% Cabernet Franc proveniente de videiras centenárias que passou 18 meses maturando em barricas novas de carvalho francês. Apresenta um sensorial floral combinado a frutas negras maduras, framboesa, pimenta e um final mineral. Um vinho clássico, sedoso de final longo, considerado por críticos internacionais um dos expoentes do Cabernet Franc na América do Sul. O outro é o Benegas Lynch Blend, um corte de 50% Cabernet Franc, 30% Cabernet Sauvignon, 15% Merlot e 5% Petit Verdot também provenientes de vinhas centenárias que também passou por 18 meses em barricas. O sensorial combina frutas vermelhas e negras maduras, pimenta branca, cravo e notas de eucalipto e de ervas, como cardamomo, tomilho e alecrim, além de toques de cacau e baunilha. Um vinho intenso, encorpado e que mostra todo o poder desse terroir.
A Bodega Benegas também produz uma linha com a marca Don Tiburcio. Enquanto o clássico da linha é um corte de cinco uvas, o Don Tiburcio Dos Alturas Malbec – Malbec 2023 traz uma proposta totalmente diferente e focada na principal uva da Argentina. Ou seja, trata-se de um co-blending de Malbec com Malbec originários de dois vinhedos distintos. Por isso o conceito “Malbec – Malbec”. A primeira parcela veio de Gualtallary (Valle de Uco), cultivada na Finca La Encerrada a 1.450 metros de altitude. Ela imprime ao vinho grande intensidade, frescor floral, uma acidez e uma mineralidade muito elegante. Já a segunda parcela de Malbec veio de Cruz de Piedra (Maipú), cultivada na Finca Libertad, a 850 metros de altitude. Essa região mais baixa e quente traz a doçura da fruta madura, como ameixas e amoras. Depois de 18 meses maturando em barricas, o vinho ficou mais encorpado e muito macio. Uma belíssima forma de expressar a versatilidade da Malbec de Mendoza!
Ainda pela Argentina provamos o Marcelo Pelleriti Grand Cuvée, um vinho de prestígio, elaborado na região de Mendoza de uvas de La Consulta, no Vale do Uco, e de Luján de Cuyo sob a supervisão do enólogo Marcelo Pelleriti. Ele é um blend de 80% Malbec e 20% Cabernet Franc com 24 meses de maturação em barricas de carvalho francês. O sensorial de frutas vermelhas maduras combina notas de nozes, chocolate, grafite e ervas, como tomilho e alecrim. Um vinho potente, denso, aveludado e de acidez equilibrada.
Guinada para a Itália para provarmos um ícone da Toscana. O Boscoselvo Brunello di Montalcino DOCG é produzido pela Vinícola Sensi 1890 de uvas 100% Sangiovese cultivadas na região de Montalcino. A classificação DOCG indica o mais alto padrão de qualidade do vinho italiano. Ele amadurece por 36 meses em barricas de carvalho, seguido por um período em cubas e de 4 a 12 meses de repouso em garrafa (comercializado ao menos 5 anos após a colheita). Um vinho que já desperta o floral antes de você beber e na boca ele revela as frutas vermelhas mais delicadas, uma romã, uma laranja, mas também café, baunilha e um toque de tabaco. Um vinho complexo, encorpado, macio e elegante, com um final que abre qualquer sorriso.










Outra guinada radical para os EUA, mais precisamente para o Napa Valley, na Califórnia. O Oberon Cabernet Sauvignon é um vinho produzido pela família Michael Mondavi e elaborado com a supervisão do enólogo Tony Coltrin. Ele é um blend com predominância do Cabernet Sauvignon, com pequenas porcentagens de Merlot, Zinfandel e Syrah. Passa 12 meses maturando em barricas de carvalho francês e seu sensorial revela as frutas pretas maduras, como amora, cassis e cereja, com toques de baunilha, chocolate amargo e especiarias. Um vinho encorpado, aveludado de final longo que tem um certo frescor típico dos vinhos californianos.
De repente, demos de cara com um hit do momento. O Matías Riccitelli Malbec Gualtallary 2024 acabou de ser eleito ‘Vinho Argentino do Ano’ no Top100 Wines 2026 – Argentina, ranking anual criado por James Suckling, um dos mais renomados críticos de vinhos do mundo. Segundo ele, “cada gole exala o frescor característico de Gualtallary: frutas escuras profundas e concentradas com notas calcárias, emolduradas por taninos finamente esculpidos, estrutura precisa e final longo e elegante, ao mesmo tempo assertivo e envolvente”. Enfim, provamos e comprovamos ser um excelente Malbec de Mendoza, fresco, frutado e de final mineral e agradável, mas talvez um pouco superestimado pelo crítico. Enfim, da mesma vinícola provamos um Chardonay clássico, sem passagem por madeira, e um Garnacha, leve e fresco, diferente dos tintos pesados tradicionais. Ambos também são muito bons, o que confirma que o trabalho de Matías é realmente incrível.
O Dog Point Section 94 Sauvignon Blanc é produzido pela Dog Point Vineyard, localizada na renomada região de Marlborough, na Nova Zelândia. O nome “Section 94” se refere a uma parcela dos vinhedos orgânicos da vinícola. Aliás, ela pratica a colheita manual (algo raro na Nova Zelândia) e a fermentação ocorre por leveduras nativas. Outra grande diferença dos Sauvignon Blancs tradicionais do país é que ele é um vinho mais encorpado e amadurece por 18 meses em barris de carvalho francês e ainda por cima é engarrafado sem clarificação e com filtragem mínima. Ou seja, um Sauvignon Blanc “diferentão”, com um sensorial que combina pêssego, nectarina, muita mineralidade e até um salgadinho ao final.
A Maison Simonnet-Febvre é uma das vinícolas mais antigas de Chablis, na região da Borgonha, fundada em 1840 e pertencente à Maison Louis Latour desde 2003. Dela degustamos o Saint-Bris Sauvignon Blanc. Detalhe interessante: Saint-Bris é a única Denominação de Origem Controlada (AOC) da Borgonha onde a uva Sauvignon Blanc é oficialmente autorizada, em vez da tradicional Chardonnay. Ele não passa por madeira e aposta na leveza e no frescor, com nuances florais e um sensorial de frutas cítricas (limão e toranja), notas de cassis e um toque mineral. Da mesma vinícola provamos o Bourgogne Chitry, este sim elaborado de uvas 100% Chardonnay da região do Grand Auxerrois. Um vinho branco seco, também sem passagem por barrica para preservar o frescor e a pureza da fruta, com um aroma floral, um frutado delicado e uma leve mineralidade e salinidade ao final. Dois belos vinhos!
Hora de um dos grandes ícones e um dos melhores Syrahs no Chile. O Montes Folly Syrah é produzido pela Viña Montes nas encostas mais altas de La Finca de Apalta, no Vale de Colchagua (D.O. Apalta). Amadurece por 18 meses em barricas de carvalho francês e entrega um sensorial clássico, de frutas negras maduras, como amora, cassis e mirtilo, chocolate amargo, café, tabaco e especiarias. Um Syrah encorpado, complexo de final longo e macio.
Passamos para degustar joias da vinícola italiana Toso da região do Piemonte. E começamos logo com o Toso Barolo DOCG um vinho de prestígio, produzido exclusivamente com a uva Nebbiolo cultivada nas icônicas colinas de Barolo. A fama se justifica. Ele envelhece no mínimo 38 meses (sendo 18 meses em barris de carvalho) antes de ser engarrafado. Tem um sensorial clássico de frutas vermelhas, com notas de alcaçuz, especiarias e um amadeirado. Um vinho encorpado, seco, mas aveludado e de final longo e agradável. O segundo vinho foi um Toso Barbaresco DOCG, elaborado de uvas 100% Nebbiolo, cultivadas entre Barbaresco, Neive e Treiso. Amadurece pelo menos 26 meses, sendo 9 meses em barris de carvalho. Um vinho frutado, intenso e aveludado. O próximo foi o Toso Piemonte Barbera, um 100% Barbera, sem passagem por barrica. Tem um sensorial de frutas vermelhas, como cereja, framboesa e morango, além de notas de especiarias e um herbal ao final. Um vinho fresco, encorpado, seco, bem equilibrado. E finalizamos com o Toso Monferrato Dolcetto. Apesar de ser “Dolcetto“, não se trata de um vinho doce e sim por que a uva amadurece mais cedo. O vinho tem um sensorial de fruta vermelha madura, como morango e ameixa, e um final que remete a amêndoas. Um vinho leve, seco, fresco e agradável.










O Purgatorio II Mil Demônios é um vinho de destaque da trilogia Purgatório (Purgatorio I, II e III), da vinícola argentina Sin Reglas Wines de Mendoza. Ele prega a ideia de que “no purgatório, até os seres mais sombrios encontram o seu caminho para a redenção“… Enfim, ele é um 100 Cabernet Sauvignon do terroir de Altamira que tem o sensorial típico de frutas vermelhas, com especiarias, tabaco e um amadeirado, pois estagia por 16 meses em barricas de carvalho. Ele parece estar no “caminho certo”, pois foi classificado recentemente com 97 pontos e o título de Melhor Cabernet Sauvignon no Guia Descorchados 2025.
Ainda pela Argentina, mas agora na Patagônia, degustamos o Mabellini Pinot Noir produzido pela vinícola boutique Mabellini Wines. Ele combina uvas de vinhedos na cidade de Neuquén e de Mainqué, no Alto Valle de Río Negro, que vem se consolidando como um dos terroirs mais conceituados dos vinhos da Patagônia. Apresenta sensorial característico de um Pinot Noir, que remete a cereja e morango, com um leve amadeirado, graças a passagem por 12 meses em barricas de carvalho francês, e tem a leveza e a maciez de terroirs de clima frio e de altitude, além de um surpreendente teor alcóolico de quase 15%.
Ainda pela Patagônia Argentina provamos o Primogénito Malbec, produzido pela Bodega Patritti na região de San Patricio del Chañar, em Neuquén. Ele também passa 12 meses em barricas de carvalho francês que lhe confere um sensorial de frutas vermelhas e negras maduras, como ameixa, cereja e framboesa, com notas de baunilha, café, menta e um amadeirado perceptível. Um Malbec bem interessante, com 14% de teor alcóolico.
Pausa para uma homenagem. O Aurora Millésime Cabernet Sauvignon 1991 foi o primeiro vinho lançado da linha ícone da Vinícola Aurora que marcou o início de um dos vinhos de guarda mais tradicionais do Brasil. A safra de 1991 foi uma das maiores da história da Aurora e da viticultura nacional, inaugurando o conceito de elaborar o Millésime que é feito apenas em safras excepcionas. Para celebrar os seus 35 anos, a vinícola abriu uma garrafa de nove litros de seu estoque pessoal e concedeu a honra ao chef francês Erick Jacquin de servir os afortunados presentes em uma degustação histórica. O vinho combina um aroma de madeira com um paladar intenso de frutas negras maduras, como amora, ameixa e mirtilo, notas de pimenta-preta, baunilha, chocolate, com especiarias, couro e tabaco. Um raro prazer.
Da vinícola Aurora provamos também o Millésime Cabernet Sauvignon 2020, a 13ª edição histórica do rótulo em edição limitada de 39 mil garrafas que está disponível no mercado. Ele é envelhecido por 12 meses em barricas novas de carvalho (americano e francês) com um sensorial semelhante, apenas com um potencial para melhorar, mas pode ser consumido já, pois também merece aplausos. Ainda no estande provamos o lançamento da vinícola: o Aurora Reserva Alvarinho 2025, elaborado com uvas cultivadas na Serra Gaúcha em vinhedos localizados acima de 500 metros de altitude. Um vinho branco leve, fresco, agradável e de excelente custo/benefício. E finalizamos com o espumante Aurora Procedências Nature, o primeiro espumante no estilo Nature da vinícola, 100% Chardonnay cultivadas em Lajeadinho / Veranópolis, na Serra Gaúcha. Ele foi elaborado pelo método charmat e passa por barricas de carvalho francês. Seu sensorial combina um floral com pera, abacaxi, limão, amêndoas, ervas e biscoito. Ele é bem seco, mas cremoso, e com perlage persistente.









Já no estande da Salton provamos o Septimum 2020 produzido na Campanha Gaúcha a partir de sete variedades de uvas em homenagem aos sete irmãos fundadores da vinícola (Paulo, Angelo, João, José, Cesar, Luis e Antonio). Anote aí as uvas: Alicante Bouschet, Arinarnoa, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Marselan, Merlot e Tannat com 17 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês. O sensorial combina um floral com frutas vermelhas, como mirtilo, amora, framboesa e groselha, com toques de menta, baunilha, pimenta-preta, anis, cacau e tabaco. Um vinho aveludado, frutado e intenso, com final prolongado e persistente. A edição é limitada em apenas 18.528 garrafas numeradas.
Também na Salton provamos o Virtude Chardonnay 2025. Apenas 60% do vinho amadurece por 9 meses em barricas de carvalho francês o que é bom para suavizar e enaltecer o sensorial de frutas, como abacaxi, damasco e pêssego, combinadas com notas de baunilha, coco, brioche e um leve amadeirado. E finalizamos no estande da marca provando o Salton Gerações Lyvio “Silo”. Ele é o sétimo rótulo dessa coleção em edição limitada, com garrafas numeradas, criada para homenagear os líderes que marcaram a história da família e da vinícola. Ele é um blend de 52% Tannat, 34% Merlot e 14% Cabernet Franc envelhecido por 24 meses em barricas de carvalho francês e norte-americano. O sensorial revela frutas, como mirtilo, amora, ameixa, uva-passa e especiarias. Um vinho complexo, equilibrado de final longo e persistente, com ótimo potencial de guarda.
Para fechar esse dia de ProWine, passamos no estande da Moët Hennessy, do grupo francês LVMH, e acabamos provando “outras bebidas”. O Glenmorangie The Quinta Ruban 14 Anos é um excelente whisky escocês single malt produzido na região das Highlands com 10 anos de maturação em barris de carvalho americano ex-bourbon, seguidos por mais 4 anos de finalização em barris de Vinho do Porto Ruby português. Você sente cacau, caramelo, nozes, especiarias, chocolate amargo e um leve toque de laranja e hortelã. Um whisky encorpado e aveludado, com retrogosto de chocolate e uma leve doçura de Vinho do Porto. Espetacular!
Outro destilado fora de série da destilaria francesa é o Hennessy Very Special (V.S.) é um dos conhaques mais famosos e vendidos do mundo. Ele passa de 2 a 8 anos em barris de carvalho francês para entregar uma bebida intensa, com sensorial de maçã, uva, amêndoas, baunilha e especiarias, com um final macio e amadeirado. Simplesmente incrível! E não resistimos ao charme da Belvedere, uma vodka super premium, quatro vezes destilada, de origem polonesa também pertencente ao grupo francês. Você sente toques suaves de baunilha, pimenta branca e um final aveludado que desce macio, com o fulgor de 40% de teor alcóolico. Belíssimo destilado!
O terceiro dia
Depois de dois dias de intensas degustações e descobertas, chegou a hora de tentar aproveitar ao máximo nosso último dia na ProWine São Paulo 2026. Começamos com uma experiência interessante pelos Vinhos Verdes, uma denominação de origem controlada de vinhos portugueses produzidos entre os rios Douro e Minho desde 1908. O estande oferecia vários rótulos para você experimentar em esquema de self-service. Depois, de acordo com a identificação da amostra, você poderia ir até o box do produtor e saber mais do que gostou. Boa ideia!!! Entre os que provamos estava o Casal de Ventozela, um vinho verde da Casal de Ventozela, um produtor dinâmico da sub-região do Ave, no norte de Portugal. Este não fugiu às características clássicas, de sensorial bem aromático, elaborado com 100% Alvarinho com estágio em barrica de carvalho francês. No sensorial, uma combinação de frutas como pêssego, pera e maçã, além de notas minerais intensas. Um vinho encorpado, mas leve, fresco, harmonioso, com complexidade e profundidade.










Passamos para a Itália para provarmos o Valpolicella da Bertani, produzido por esta tradicional vinícola italiana fundada em 1857 no Vêneto. Ele é um blend de 80% Corvina Veronese e 20% Rondinella sem passagem por barrica para preservar o frescor da fruta. Por isso o sensorial é intenso de frutas como cereja, ameixa, romã e groselha, com notas de ervas e um toque floral. Um vinho seco, mas fresco, refrescante, com um final bem agradável.
Ainda pela Itália degustamos o Truffle Hunter Leda Barolo DOCG produzido pela Bosio Winery, localizada em Santo Stefano Belbo, na região do Piemonte. O nome é uma homenagem a Leda, a cachorrinha de estimação do vitivinicultor Valter Bosio, que o acompanha na caça às trufas. Este Barolo é 100% Nebbiolo com três anos de maturação em barricas de carvalho francês. Um vinho encorpado, com muita fruta vermelha, com notas de alcaçuz, couro e tabaco.
Passamos para o Silicum Poderi del Paradiso produzido na região da Toscana pela Cantina Poderi del Paradiso. Ele é um blend tradicional de Sangiovese, Merlot e Syrah com cerca de 14 a 16 meses de maturação em barricas de carvalho francês. O sensorial é típico de frutas vermelhas e negras maduras, especiarias, couro e notas tostadas. Um vinho encorpado, estruturado, de final longo e com um teor alcoólico de 14,5%.
O Terre Natuzzi Don Giovanni Chianti Clássico DOCG é produzido pela Vinícola Terre Natuzzi na região de Greve, no coração do Chianti, na Toscana. É um blend de 90% Sangiovese, 5% Canaiolo e 5% Cabernet Sauvignon com maturação de 9 meses em barris de carvalho. O sensorial é floral com frutas vermelhas intensas, especiarias, baunilha e toque terroso. Um vinho encorpado, equilibrado, macio com um final levemente amadeirado.
O Caldora Montepulciano d’Abruzzo DOC é produzido pela Cantina Caldora, do Grupo Fantini, na região de Abruzzo, na costa do mar adriático na Itália. Um 100% Montepulciano que exibe um sensorial típico de frutas vermelhas, como cereja, ameixa e framboesa, com notas de chocolate e baunilha. Um vinho encorpado, macio e fácil de beber.
Hora de um espumante francês, mais especificamente o Moillard Crémant de Bourgogne Brut 2023 da região da Borgonha, elaborado pela tradicional Vinícola Maison Moillard com as uvas Chardonnay, Pinot Noir e Aligoté pelo método tradicional (champenoise), com segunda fermentação em garrafa. Ele exibe aquele sensorial que remete a maçã verde, pera, pêssegos, flores brancas, avelãs, além de toques de panificação, brioche e levedura. Um espumante fresco, cremoso, agradável, refrescante, com perlage fina, delicada e persistente.
Já que paramos para um espumante, demos outra parada para degustar whiskies da Dalmore, facilmente reconhecidos pelo famoso “Royal Stag” (veado com chifres de 12 pontas), símbolo icônico da destilaria. Provamos o The Dalmore 12 Anos, um single malt escocês produzido na região das Highlands, com 12 anos maturando em barricas de carvalho americano ex-Bourbon e finalizado em barris de xerez/sherry Matusalem Oloroso. Você sente uma citricidade, frutas secas, chocolate, caramelo, café, baunilha, especiarias e um toque de carvalho. Um whisky encorpado, sedoso, elegante e bem macio ao final. Excelente!
Voltando aos vinhos, provamos o chileno Santa Carolina VSC Assemblage, produzido pela Viña Santa Carolina no Vale do Cachapoal / Vale do Maipo. Anote aí as uvas: Petit Syrah (45%), Petit Verdot (25%), Cabernet Sauvignon (15%), Carménère (10%) e Malbec (5%) com maturação em barricas de carvalho francês. O sensorial combina um floral discreto com frutas vermelhas, como groselha e ameixa, especiarias, tabaco e cedro. Um vinho encorpado e complexo, bem intenso, elegante, com um final longo.
O GR-174 é um renomado vinho espanhol produzido pela Casa Gran del Siurana, batizado em homenagem à uma trilha famosa que serpenteia entre os vinhedos da região de Priorat, na Catalunha. Um blend das uvas Garnacha (32%), Cabernet Sauvignon (21%), Samsó (17%), Syrah (15%), Merlot (10%), Cabernet Franc (3%) e Tempranillo (2%). Parte do vinho estagia por cerca de 5 a 9 meses em barricas de carvalho francês e americano. Seus sensorial lembra frutas frescas, como cassis, amora e groselha, com notas florais e minerais do terroir. Um vinho aveludado e intenso, de ótimo custo/benefício.










O Marqués de Tomares Reserva é um vinho espanhol produzido pela vinícola homônima na prestigiada região de La Rioja. Ele é elaborado com 80% Tempranillo, 10% Graciano, 7% Mazuelo e 3% Viura, com 18 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês, seguido por mais 18 meses na garrafa antes de ser comercializado. Tem um sensorial de frutas negras, baunilha, chocolate e especiarias. Um vinho seco, encorpado, aveludado, complexo, com 14% de teor alcoólico, e de garrafas numeradas.
O Petit Vega é um vinho tinto espanhol produzido na região de Ribera del Duero pelo produtor Oscar Montaña (Premium Fincas), elaborado 100% com a uva Tempranillo. Na verdade, ele integra uma linha com diferentes tempos de envelhecimento em barrica (8, 18 ou 28 meses). Este, no caso, é um 28 meses que traz um sensorial de frutas negras maduras, café, especiarias e aceto balsâmico. Um vinho com excelente estrutura, macio e que exprime as melhores características de D.O. da região de Ribera del Duero.
Pausa para vinhos da Geórgia, que sempre surpreendem positivamente. Provamos o Askaneli Saperavi Qvevri 2022 da região de Kakheti – considerada a melhor região para a uva Saperavi na Geórgia – elaborado pela vinícola Askaneli Brothers. Além de ser um 100% Saperavi, ele foi fermentado pelo método milenar dos qvevris (grandes ânforas de barro enterradas no solo). Ele traz um sensorial de frutas, como cereja, amora e mirtilo, com notas terrosas e de pimenta preta. Um vinho intenso, robusto, aveludado de final longo.
O Ranina Mukuzani é produzido pela Vinícola Dugladze também na região de Kakheti, especificamente em Mukuzani (uma denominação de origem controlada – DOC). Ele passa 12 meses em barricas de carvalho acentuando seu sensorial de frutas vermelhas maduras, como cereja e ameixa, com toques de baunilha e um amadeirado bem perceptível. A linha “Ranina” é uma homenagem à uma canção folclórica da Geórgia e é considerado um dos melhores tintos secos do país. E finalizamos com o Umano Saperavi também produzido na região de Kakheti pela Corporation Georgian Wine, mas elaborado com a Saperavi por meio de maceração carbônica, o que resulta em um sensorial de frutas vermelhas, como cereja, framboesa e romã em um estilo mais frutado, suculento, leve, fresco e mais macio do que os tradicionais vinhos encorpados da casta. Três ótimos vinhos georgianos que merecem ser apreciados.
Pausa para dois excepcionais vinhos clássicos italianos trazidos ao Brasil pela Vinícola Basso, que atua tanto como produtora na Serra Gaúcha quanto como importadora e curadora de rótulos internacionais selecionados. O Amarone della Valpolicella DOCG Crear di Vero é produzido no Vêneto (DOCG Amarone della Valpolicella) com as uvas Corvina Veronese, Corvinone e Rondinella com 36 meses de maturação em barricas de carvalho seguida de 6 meses em garrafa. Revela um sensorial intenso de frutas vermelhas maduras, como cereja, amarena e ameixa, com um toque de chocolate, alcaçuz e especiarias. Um vinho encorpado, estruturado e aveludado. E da mesma linha Crear di Vero provamos o Brunello di Montalcino produzido na Toscana com a uva Sangiovese. Ele tem um aroma floral intenso e um paladar que remete a frutas vermelhas maduras, cacau e especiarias, com um final longo e agradável. Ambos vinhos de alta complexidade, estruturados e de qualidade e prestígio inquestionáveis.
Também trazido pela Vinícola Basso, o Grand Blaquière Réserve Les Silex Fumés Rosè faz parte de uma linha de vinhos franceses da IGP Saint-Guilhem-le-Désert (na região de Languedoc-Roussillon), produzida pela Vignobles Vellas. Ele é feito a partir de um corte de uvas Grenache e Syrah, sem passagem por barricas, para evidenciar o sensorial de frutas vermelhas frescas combinadas com notas florais e uma mineralidade ao final. Um vinho refrescante, com boa chance de agradar gelado no calor do verão. Outro do portfólio da Basso é o Vignobles Vellas Seigneur de Montlaure Châteauneuf-du-Pape, um blend das uvas Grenache, Syrah e Mourvèdre do sul do Vale do Rhône, com envelhecimento parcial em grandes tonéis de carvalho. O sensorial é de frutas vermelhas maduras com toques de especiarias. Um vinho seco, mas sedoso e equilibrado, com 14,5% de teor alcoólico e ótimo potencial de guarda que merece a fama que tem.
O Philippe Lechatel Bourgogne Pinot Noir é outro vinho produzido pela Vinícola Basso em parceria com a Vignobles Vellas. É um típico Pinot Noir francês sem passagem por barrica, com sensorial com notas florais, frutas vermelhas frescas (cereja e morango) e toques de especiarias. Um vinho fresco, equilibrado e de final longo, bem agradável. Outro vinho excelente!










Também distribuídos no Brasil pela Vinícola Basso, provamos uma linha de três vinhos varietais argentinos Finca Rivadavia Gran Reserva produzidos pela Bodega Eugenio Ferreyra, de Mendoza. Todos passam 12 meses de amadurecimento em barricas de carvalho (50% francês e 50% americano). O Cabernet Franc tem um sensorial que combina frutas vermelhas e negras, como framboesa e cereja, com toques de tabaco, baunilha e pimentão. O Malbec segue o estilo clássico dessa uva típica argentina, puxando para ameixa e cereja negra, com notas de baunilha, chocolate e especiarias. E o Bonarda remete a ameixa, amora e cereja escura, com notas de tabaco, caramelo, baunilha e especiarias. Todos são encorpados, aveludados e bem equilibrados, com frescor e um final macio e amadeirado. Três belos vinhos!
Passamos para a Espanha para provarmos o Chozas Carrascal Las Dosces 2023 produzido pela vinícola familiar Chozas Carrascal, localizada na região de Utiel-Requena, em Valência. Ele é um blend que combina a autóctone Bobal com Tempranillo e Syrah. O sensorial é de frutas vermelhas e negras maduras, como cereja, mirtilo e amora, com toques de especiarias e aceto balsâmico. Um vinho seco, mas macio, equilibrado, com um leve amadeirado ao final graças ao período de 5 a 6 meses de maturação em barricas de carvalho francês. Da mesma vinícola provamos o El Cabernet feito com 100% Cabernet Franc também da região de Utiel-Requena que combina vinhedos de altitude, fermentação em concreto e amadurecimento em carvalho francês de 5 a 9 meses. Aqui o sensorial é de frutas negras maduras, como amora e ameixa, cassis, com notas minerais, balsâmicas, chocolate e especiarias. Um vinho encorpado, aveludado de final longo.
Aliás, é preciso destacar que a Espanha veio à ProWine São Paulo deste ano com uma estratégia de peso, com participações coletivas de quatro regiões produtoras – IVACE, Murcia, D.O. Rueda e Castilla y León – a fim de aproximar suas vinícolas dos compradores brasileiros para conquistar um maior espaço no nosso mercado.
Voltamos para a Argentina para provarmos o Finca Las Carreras Molinos Malbec da bodega Francisco Puga y Familia (Paco Puga), produzido com uvas 100% Malbec cultivadas no Viñedo Altu Palka em Molinos, no Valle Calchaquíes, Salta, a 2.590 metros de altitude. A fermentação é com leveduras nativas e o envelhecimento é de 14 a 16 meses em barricas de carvalho francês. Um vinho com muita fruta vermelha escura, fresco, redondo e agradável. A safra 2023 que provamos teve edição limitada de apenas 1.160 garrafas. Degustamos outro rótulo da vinícola, o L’Amitié Corte de Tintas, um blend de Malbec, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon de Tolombón no Valles Calchaquíes. As uvas são fermentadas separadamente em tanques de aço inoxidável ou de concreto para preservar a identidade de cada parcela. Um vinho frutado fresco, intenso e de final longo.
Passamos para o Chile para degustarmos o Serendipia Cabernet Franc 2021, um vinho de pequena produção, elaborado pela Viña San Francisco de las Quiscas no terroir de Peumo, no Valle do Cachapoal. Ele passa 18 meses maturando em barris de carvalho francês, entregando um sensorial de amoras, especiarias, tabaco e grafite. Um vinho complexo, gastronômico, de final longo e persistente que já conquistou muitos elogios da crítica especializada. Inclusive, “Serendipia” é a capacidade de descobrir algo bom, útil ou valioso por mero acaso, uma surpresa agradável quando se menos espera. Bingo!
Guinada radical para a Grécia para saborearmos o Alpha Estate Xinomavro Hedgehog Vineyard 2022, um 100% Xinomavro da denominação PDO Amyndeon (Macedônia). Ele passa 12 meses em carvalho francês e 12 meses em garrafa, apresentando um sensorial de frutas vermelhas, como morango, cereja e framboesa, couro, especiarias, pimenta, baunilha e tomate seco, com toques florais. Um vinho de identidade, sedoso, redondo e elegante.
Ainda pela Grécia provamos o Lyrarakis Liatiko PGI Crete 2023 produzido pela Lyrarakis Winery na ilha de Creta. O PGI é uma Indicação Geográfica Protegida. Ele é um 100% Liatiko, uma uva tinta histórica de Creta conhecida por gerar tintos claros em cor, mas aromáticos, florais e estruturados. Ele é tudo isso e traz um sensorial de frutas vermelhas, como cerejas silvestres, e especiarias doces. É um vinho vegano e orgânico, com destaque para o rótulo que traz uma ilustração inspirada em vestimentas das antigas mulheres cretenses encontradas em imagens em sítios arqueológicos locais. Da mesma Lyrarakis provamos o Kotsifali PGI Crete 2022, um vinho tinto seco 100% da uva Kotsifali. O sensorial é de frutas vermelhas maduras (cerejas, ameixas e amoras) com notas de laranja, especiarias doces, cravo e ervas. Um vinho encorpado e saboroso, com taninos macios e sedosos, acidez suculenta e final longo e refinado.








Outro vinho grego que provamos foi o Strofilia Nemea Agiorgitiko DOP, um vinho tinto seco e encorpado produzido na região montanhosa de Nemea pela Vinícola Strofilia. Ele é um 100% Agiorgitiko (casta autóctona grega) e amadurece por cerca de 12 meses em barricas de carvalho. Seu sensorial combina frutas vermelhas maduras, principalmente cereja, cravo, baunilha e especiarias. É um vinho mais complexo, elegante, equilibrado e de final longo.
Pausa para um drink. O estande da Interfood na ProWine foi palco de estreia do Cointreau Spicy, uma edição especial do clássico licor francês de laranja com notas de pimenta Bird’s Eye Chilli, jalapeño e um toque refrescante de pepino. Ele foi lançado pela marca com foco na coquetelaria para a elaboração de drinks mais picantes como, por exemplo, o Spicy Margarita, que foi gentilmente preparado pelo bartender para o nosso deleite. Aproveitamos e provamos outra novidade no portfólio da importadora, o G.E. Massenez Poire Williams, uma tradicional aguardente de peras produzida pela Distillerie Massenez na região da Alsácia, na França. Depois da fermentação e da destilação, a bebida é engarrafada rapidamente para preservar o frescor, o aroma e o sabor puro da pera. Para se ter uma ideia, cerca de 14 kg da fruta são utilizados para produzir cada garrafa. É realmente uma bebida singular, com aroma intenso e fresco de pera madura, com notas sutis de flores silvestres e um leve toque de especiarias. Uma bebida complexa, frutada, suave e delicada, tanto para apreciar pura com gelo quanto para criar coquetéis incríveis…
Na saída do estande demos de cara com uma “pisa de uva” e uma degustação de Jerez, um vinho fortificado típico do sul da Espanha, na região da Andaluzia. Não resistimos e provamos o Tio Pepe Palomino Fino, produzido pela vinícola espanhola González Byass na região. Ele usa 100% da uva Palomino Fino e amadurece por cerca de 4 anos em barricas de carvalho americano pelo tradicional sistema de solera, aquele que os barris ficam em fileiras uns sob os outros e a bebida é uma mistura de líquidos novos e antigos para gerar aromas e sabores delicados e profundos de frutas brancas com notas de amêndoas, ervas e um final salino e mineral inconfundível. Olé!







Continuamos a viagem pelos vinhos fortificados e provamos o Croft Tawny 10 Anos, um clássico vinho do Porto fortificado, produzido em Portugal pela tradicional Casa Croft Port. Elaborado a partir de castas tradicionais do Douro, como Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, entre outras, ele envelhece em média 10 anos em barricas de carvalho. Um vinho do Porto complexo, com notas de amêndoas, tâmaras, figos, nozes, caramelo, canela, chocolate e um forte amadeirado. Desce macio, aveludado, com final adocicado característico.
Voltando aos vinhos tintos, provamos um belo exemplar da linha Signature da Susana Balbo, a coleção icônica de vinhos de autor dessa renomada enóloga argentina que tem rótulos varietais de Torrontés, Cabernet Sauvignon e Malbec e um blend tinto e outro rosé. Provamos o
Susana Balbo Signature Malbec, o mais famoso da linha. Um tinto encorpado de Mendoza (Vale do Uco), com cerca de 13 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês. Traz um sensorial de frutas negras (mirtilo e amora), chocolate e especiarias. Um Malbec clássico, aveludado, tudo de bom. Do portfólio da Suzana provamos ainda o BenMarco Malbec 2022 também produzido na mesma região, com 11 meses de maturação em barricas de carvalho francês. Aqui o sensorial também passeia por aromas florais e pelas frutas vermelhas, como mirtilo, jabuticaba e amora, combinadas com notas de ervas, grafite e especiarias. Um vinho macio, frutado e refrescante, de final longo e suculento.
Não poderíamos deixar de provar o BenMarco Cabernet Franc 2023 que é destaque do portfólio da Susana Balbo. Produzido na região de Paraje Altamira, no Vale do Uco, em Mendoza. Este 100% Cabernet Franc passa 11 meses maturando em barricas de carvalho francês. Seu sensorial é intenso de frutas vermelhas e negras maduras, como cereja, ameixa e cassis, combinados com toques herbáceos, especiarias, chocolate amargo, tabaco e pimenta preta. Um vinho suculento, macio, saboroso… que merece o reconhecimento de best buy de vários críticos especializados.
No estande da Menin Douro Estates, a vinícola portuguesa da região do Douro de linhagem brasileira, provamos dois vinhos do Porto. O Menin Porto Vintage 2020 é um vinho do Porto de excelência, elaborado com Touriga Franca, Touriga Nacional e vinhas de Field Blend (castas tradicionais) de parcelas com classificação máxima para Vinho do Porto, as chamadas “Letra A”. Ele tem um sensorial intenso de frutas negras, principalmente amoras, mirtilos e groselha, frutas vermelhas maduras e um toque de figo. Um Porto com bastante frescor e persistência com enorme potencial de guarda. O outro foi o Menin Porto Tawny 20 elaborado das uvas Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinta Amarela, Tinta Roriz e outras variedades tintas do Douro. Ele tem um sensorial de nozes e frutas secas, com toques de cerejas e especiarias resultado do envelhecimento em barricas de carvalho. Um vinho intenso, com ótimo equilíbrio entre o frutado e a doçura, com um final persistente. Recentemente, ele conquistou a Medalha de Prata e 90 pontos nos Decanter World Wine Awards 2026.
Terminamos nosso tour pela ProWine São Paulo 2026 degustando… um destilado. O Séptimo de Línea é um pisco Moscatel chileno artesanal produzido pela Destilería Mulet no Valle del Huasco, na região do Atacama. Ele é elaborado em alambiques de cobre franceses aquecidos a lenha (tradição artesanal da família Mulet com mais de 115 anos). A curiosidade da arte do rótulo é que ela presta uma homenagem aos “heróis de Atacameños” que participaram da Guerra do Pacífico, um confronto do Chile contra Bolívia e Peru que aconteceu entre 1879 e 1884, e também inspirado em um famoso hino militar chileno “Adiós al Séptimo de Línea“, que celebra a bravura, o dever, a lealdade e o sacrifício pelos ideais. Uma boa metáfora desses três dias intensos de feira.
Mais uma vez, a ProWine São Paulo mostrou a sua força, relevância e abrangência reforçando seu caráter de imprescindível para todos os profissionais e amantes do setor de vinhos e, porque não, de destilados atuantes no Brasil. Foram tantos estandes, produtores, marcas e rótulos que foi impossível experimentar e resenhar um número expressivo dos mais de 1.500 rótulos exibidos. Os 150 que conseguimos degustar (10%) rendeu essa extensa matéria. Nos desculpem se algo importante nos escapou, mas esperamos ter levado uma boa ideia do que foi a feira. Parabéns a todos os envolvidos e até o ano que vem! Mais informações no site: https://prowinesaopaulo.com e no Instagram: @prowinesaopaulo.
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