Vinho Pop Festival reuniu em São Paulo mais de 200 rótulos nacionais e importados, música ao vivo, arte e cultura

No dia 14 de março, São Paulo recebeu uma edição especial do Vinho Pop Festival, criado para celebrar o Dia Internacional da Mulher com vinho, música, arte, cultura e encontros. O evento aconteceu na Galeria Ricardo Von Brusky, no Jardim América, e provou a sua relevância, tal o interesse dos visitantes pelo vinho e pela oferta de ótimos rótulos para degustar e levar para casa.

Com sessões de degustação de três horas de duração, o público pode provar à vontade mais de 200 rótulos de vinhos nacionais e importados de expositores cuidadosamente selecionados. Além da degustação, o evento ofereceu uma área só de produtos artesanais, como queijos, doces, biscoitos, charcutaria… incentivando o consumo consciente, a produção autoral e o diálogo entre vinho, gastronomia e cultura. Um DJ complementou a programação, criando um clima vibrante, acolhedor e inspirador ao longo do dia.

Os vinhos

O Portal Mesa de Bar esteve presente e selecionou algumas preciosidades degustadas por lá. A começar por duas ótimas opções da vinícola Invernia, de Espírito Santo do Pinhal (SP), na região da Serra da Mantiqueira, que tem se mostrado uma ótima surpresa na produção vitivinícola. Das mãos do simpático Marcelo provamos uma novidade: um extraordinário Sauvignon Blanc que acabara de chegar ao mercado. E o Tre Elementi, um carménère fruto de uma colaboração com a vinícola chilena Alchemy e a vinícola DeRose (Califórnia). Todos dois excelentes representantes do seu estilo.

Da vinícola Vinícola Chiusa Grande, da região de Abruzzo, no centro da Itália, provamos três preciosidades. Dois deles são da linha Abracadabra, que têm uma arte muito bonita no rótulo com uma figura colorida em estilo cubista, segurando cartas de baralho e uma varinha mágica. Tanto o rosé quanto o tinto são elaborados com a uva Maiolica, uma variedade nativa de Abruzzo que foi quase abandonada, mas recentemente redescoberta por alguns produtores da região. Ambos ficaram muito agradáveis, de corpo médio, e fáceis de beber. Já o Montiscoroardimei  (que significa “não me esqueças“) é um espumante da mesma vinícola, integrante de uma linha de vinhos naturais e orgânicos e que surpreende, mostrando a versatilidade de Abruzzo em produzir diferentes estilos de vinhos.

Os vinhos libaneses têm uma tradição milenar e as uvas autóctones (nativas) como a merwah e a obeidy estão ganhando bastante destaque no mundo dos vinhos recentemente. Degustamos da Ishtar Winery um rótulo feito da uva branca merwah, que gerou um vinho seco, fresco, com notas cítricas e amendoadas.

Outro país asiático com tradição em vinhos é a Armênia, considerada um dos berços da vitivinicultura mundial. De lá provamos o Areni Noir Reserve, da vinícola Hin Areni. A areni noir é uma uva tinta nativa e milenar da Armênia, comparada à pinot noir por resultar em vinhos como este, seco, elegante, com boa acidez e notas de frutas vermelhas e especiarias. Outro que provamos da Armênia foi o MOONQ Red Dry Wine. Além do nome ser impronunciável para nós, o vinho tinto é feito com a uva nrneni, uma variedade rara e exclusiva da Armênia, cultivada principalmente no Vale de Ararat, famoso por ser o local citado na Bíblia onde a Arca de Noé repousou após o Dilúvio. São dois excelentes vinhos para quem quer sair do óbvio.

Saímos da Ásia e paramos na Europa Mediterrânea para provar o Pino Doncel da vinícola Bleda, na região de Jumilla, no sudeste da Espanha. Ele é um blend de syrah e monastrell, um vinho encorpado, de alta intensidade aromática e de sabor, com notas de frutas vermelhas e pretas, especiarias, muito amadeirado e uma leve doçura no final. Outro que provamos foi o Pino Doncel Black, um blend de monastrell, syrah e petit verdot que amadurece por 5 meses em barricas de carvalho americano e francês, o que confere a ele complexidade de um vinho encorpado, aromático e redondo, com notas frutadas, de especiarias, tabaco e chocolate e um teor alcoólico de 14,5%. Aqui o legal foi provar os dois na sequência e sentir a diferença entre um mais rústico e outro mais leve, mas os dois muito bons.

Passamos para o Brasil, mais especificamente para a Campanha Gaúcha, na divisa com o Uruguai. Lá a vinícola Cerro de Pedra produz vinhos muito interessantes como o Parcelas Sauvignon Blanc. Um vinho leve, equilibrado e refrescante, bem aromático e com um final mineral. E provamos também o vinho Laranja Jovem, um tipo de vinho que desperta curiosidade em muita gente. Este é um blend de chardonnay e sauvignon blanc de safras diferentes. Um vinho de cor inconfundível, aroma floral e de mel e um sabor mais amendoado, com um final com muita mineralidade.

Também do Rio Grande do Sul, mas da Serra Gaúcha, degustamos o vinho branco Toni Conte Chardonnay da Fabian. Uma vinícola familiar típica fundada pelos imigrantes italianos que hoje produz ótimos vinhos. Este estagia por 12 meses em barricas de carvalho francês que lhe adiciona cremosidade, acidez, um sensorial de abacaxi com amêndoas e um final persistente. Um branco com personalidade.

Também do mesmo estado, mas do Vale dos Vinhedos, degustamos o vinho Schloss Semler Riesling Renano da Casa Dorigon. A riesling renano é uma uva nobre e clássica de origem do Vale do Reno, na Alemanha, considerada uma das melhores do mundo para vinhos brancos. Este está totalmente dentro do perfil, com altíssima acidez e aqueles aromas florais de sabor cítrico, com notas de pêssego e damasco e um final absolutamente fresco e mineral.

E finalizamos nossa degustação com o Fumée Blanc, da Casa Sonsini, de Jurumirim (SP), que recentemente foi destaque em uma de nossas reportagens (Clique aqui para ler a matéria). Ele é elaborado 100% com uvas sauvignon blanc cultivadas sob o sistema de colheita de inverno, com oito meses de amadurecimento em barricas francesas, o que dá a ele uma cremosidade, um corpo médio/alto e notas defumadas, frutadas e condimentadas. Um branco mais estruturado e de ambição gastronômica.

O Vinho Pop Festival mostrou sua relevância. Um evento idealizado por Larissa Fin, fundadora da Casa Vitis e criadora do Vinho na Vila, o Festival nasceu como uma nova alternativa de valorização do vinho como elemento cultural, acessível e plural enfatizando a força feminina. A proposta é celebrar o vinho não apenas como produto, mas como experiência de encontro, com sensibilidade, autenticidade, arte, boa música e muitas taças brindadas. Mais informações no Instagram: @vinhopopfestival