O Instituto Europeu de Design São Paulo recebeu a 6ª edição do programa Vini Fatti A Mano, uma feira de pequenos produtores de vinhos italianos
O Portal Mesa de Bar foi convidado pela importadora Mondo Roso para a 6ª edição do programa Vini Fatti A Mano, uma feira de “vinhos italianos artesanais” com direito a degustação de rótulos de mais de dez pequenos produtores que vieram especialmente ao Brasil, além de masterclasses e muito networking. O evento aconteceu no Instituto Europeu de Design São Paulo nos dias 6 e 7 de março últimos.












Os vinhos
Começamos a degustação pelo produtor Corte Fornaledo experimentando um Valpolicella Classico Supeiore, passando em seguida para Valpolicella Ripasso Classico Superiore e depois para o Amarone Della Valpolicella Classico. Todos excelentes blends de corvina, corvinone, rondinella e molinara da região do Veneto. Rótulos robustos, saborosos, frutados, frescos e persistentes. E este último um pouco mais alcóolico, com 16%.
Hora de conferir as preciosidades do produtor Enzo Boglietti, da região de La Morra no Piemonte, famosa exatamente por conta dos Barolos produzidos por lá. Começamos com um Barolo DOCG Riserva 2011 100% nebbiolo muito maduro, aromático, frutado, sedoso, picante e com um final mineral que agrada bastante. Um Barolo com excelente potencial de envelhecimento com 15% de teor alcoólico. Depois experimentamos um Barolo Arione 2017, outro 100% nebbiolo com 30 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês. E por fim um ótimo espumante Brut Nature também 100% nebbiolo, frutado, fresco e seco elaborado pelo método tradicional.






Da Cimate, de Montefalco na Umbria, provamos o Spoleto Trebbiano Spoletino DOC, um vinho amarelado, com reflexos dourados, aroma intenso de damasco, pêssego e um final bem fresco, mineral. Além disso, a garrafa longilínea é bem estilosa. Outro branco que provamos da vinícola é o Vignafante, um blend de chardonnay, viognier e grechetto também bem fresco e com um leve sensorial de maçã verde. E finalizamos os brancos com o Spoleto Trebbiano Spoletino Superiore. Ele matura por 12 meses em barricas de carvalho francês, o que intensifica sua cor amarelada e ressalta também seu final longo e mineral. Um branco mais equilibrado. Para fechar os rótulos da vinícola, provamos dois tintos. O Montefalco Sagrantino é feito dessa uva clássica da região. Bastante frutado, intenso, com notas de groselha e especiarias e final bem longo, com 15% de teor alcóolico. E o Montefalco Rosso é um blend de diferentes variedades de uva colhidas e vinificadas em épocas distintas. Ele amadurece por 24 meses em diferentes tipos de madeira: barricas francesas, carvalho da Eslavônia, carvalho austríaco e o restante em garrafa, também com 15% de teor alcóolico. Belos vinhos!
Da vinícola Ca’del Profeta da região do Piemonte provamos o Efraim, um 100% barbera. Um vinho intenso, frutado, que passa 12 meses em barricas de carvalho francês adquirindo aquele sensorial típico de baunilha e amadeirado. Passamos para uma viagem pelos Brunello di Montalcino da vinícola La Fornace, de Siena. Provamos 5 exemplares e gostamos mais do Origini, um vinho clássico, 100% sangiovese, que amadurece em barricas de carvalho esloveno por 12 anos de envelhecimento e mais um em cuba de cimento. Um vinho excelente, intenso, aveludado, com leves notas de ameixa, cereja, frutas maduras, pimenta-do-reino, baunilha, canela, chocolate e tabaco.






Da Tenuta Cavalier Pepe, da região da Campania, provamos o Grancare Riserva Greco di Tufo DOCG, um vinho branco dourado, com um aroma intenso de pêssego e sabor bem intenso que remete a frutas amarelas, com um final mineral bem agradável. Da mesma vinícola provamos o La Loggia del Cavaliere Riserva 100% aglianico. Ele matura por 24 meses em barricas novas de carvalho francês, 24 meses em tanques de concreto e mais 18 meses na garrafa atingindo 14,5% de teor alcóolico. O resultado é um vinho bem equilibrado, macio, com final longo e envolvente. Provamos uma versão dele, o Opera Mia, que é uma edição limitada bem refinada. E também o Santo Stefano Irpinia Campi Taurasini DOC. Um vinho complexo, aromático e com ótima estrutura.
Degustamos da Corte Moschina, da região de Verona, o Amarone della Valpolicella DOCG, um blend de corvina, rondinella e corvinone. Um Amarone é elaborado pela técnica tradicional italiana de apassimento na qual as uvas são desidratadas após a colheita por cerca de 120 dias, concentrando açúcares, sabores e aromas, criando vinhos encorpados, adocicados e mais alcoólicos. Este ainda estagia por 24 meses em barris de carvalho francês, resultando em um vinho intenso, com um final macio bem interessante.
Partimos para o 1427 Chianti Classico Riserva DOCG da vinícola Panzanello da Toscana. Um blend de sangiovese com cabernet sauvignon que matura por 10 meses em barricas de carvalho francês, 8 meses e inox e mais um ano na garrafa. Um vinho encorpado, potente e bem amadeirado, com 15% de teor alcóolico. Provamos da mesma vinícola o Manuzio Supertuscan IGT. Vinhos Supertoscanos são tintos produzidos na Toscana que quebraram as regras tradicionais de denominação (DOC/DOCG) ao utilizar “uvas mundiais”, como cabernet sauvignon, merlot e syrah, e uso de técnicas modernas de vinificação. Este não foge à regra, composto por 100% merlot com amadurecimento por 24 meses em barricas novas de carvalho francês e 24 meses em garrafa conferindo a ele aroma de amora, ameixa, baunilha, especiarias e tabaco e um sabor poderoso, complexo, estruturado com um final persistente e 14,5% de teor alcoólico.






Foi a vez do Barbera d’Alba Superiore da vinícola Cascina Morascino, da sub-região de Neive, no município de Barbaresco no Piemonte. É um belo vinho tinto produzido de uvas barbera com 12 meses de estágio em barricas que dão a ele um aroma intenso de frutas vermelhas, especiarias, baunilha e canela. No paladar é forte e persistente, com uma acidez agradável. Da mesma vinícola provamos o Barbaresco Morassino, 100% nebbiolo, que não passa em barrica e não é filtrado. Por isso exibe um maior frescor, com aromas de frutas vermelhas e especiarias e um sabor intenso, mas macio e de alta acidez. E finalizamos os rótulos da Casina com o Barbaresco Ovello, também 100% nebbiolo, com aromas de cerejas, couro e especiarias, mais encorpado e com muito tanino.
Pausa para uma curiosidade sobre o vinho Mamuthone Cannonau di Sardegna da vinícola Giuseppe Sedilesu. Os Mamuthones são figuras centrais e enigmáticas do carnaval tradicional de Mamoiada, na Sardenha, que usam máscaras de madeira preta, peles de ovelha escuras e pesados sinos nas costas. Eles desfilam em silêncio num ritual ancestral ligado à fertilidade, agricultura e celebração do fim do inverno. Este é feito 100% de uvas cannonau, considerada uma variação local da grenache, com forte sensorial de pimenta do reino, tabaco, couro, ameixa e um corpo médio. Da Sedilesu também provamos o Ghirada Murruzzone, outro 100% cannonau bem encorpado, com o sensorial característico de frutas vermelhas, couro e um certo terroso. Todos muito interessantes.
Da Diego Pressenda La Torricella provamos o seu Barolo, 100% nebbiolo, maturado por três anos em barricas de carvalho francês e mais dois em garrafa. Com sensorial de cereja, framboesa e um forte herbal, ele é mais encorpado, seco, com bastante tanino. Da Fattoria Lavacchio, da Toscana, provamos o Pachàr. O nome vem da união dos nomes dos filhos do casal, Pablo e Charlote, que representaram o primeiro vinho produzido em 2003 por essa nova geração à frente da vinícola. Um vinho branco típico do estilo Chianti Rufina, com um aroma floral intenso e toques cítricos e de baunilha e avelã. No sabor ele entrega um ótimo frescor que lembra maçã e baunilha, com um leve toque amadeirado. Um vinho macio, sedoso e de final agradável. Provamos ainda o tinto Fontegalli Toscana, outro Chianti Rufina (60% merlot e 40% syrah) que amadurece por 24 meses em barricas de carvalho francês e traz um sensorial que lembra amora, mirtilo, baunilha e carvalho. Um vinho aveludado, amadeirado intenso.









Para finalizar (Ufa!) essa estupenda degustação de vinhos italianos fechamos com o Cerri Merry l’Aperitivo del Cavaliere da vinícola Cavalier Pepe da Campania. Ele é um característico vinho de sobremesa feito da uva aglianico, típica do Sul da Itália, que lembra demais a amarena, aquela pequena cereja silvestre italiana. Mas não é tão doce o que o deixa muito interessante para finalizar um banquete ou acompanhar um gelato.
Assim terminamos nosso giro por esses vinhos com a certeza de que provamos rótulos espetaculares, com origem, identidade e de produção limitada. Essa Itália de pequenos produtores vale muito a pena ser descoberta e apreciada. Mais informações no site: www.mondoroso.com e no Instagram: @mondo_roso
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