Wines of Chile promove novo evento anual em São Paulo destacando a influência do Oceano Pacífico e celebrando a liderança no nosso mercado
Wines of Chile promoveu mais uma edição de seu evento anual no dia 7 de agosto, no Hotel Unique, em São Paulo. Desta vez o evento teve como tema o “Chile Pacífico”, que enfatizou a influência do Oceano Pacífico nos vinhos chilenos, além da oferta enoturística de algumas das principais vinícolas do país e também a rica gastronomia chilena, tendo o salmão como um de seus grandes representantes.
O evento também reforçou o protagonismo do Chile como líder em nosso mercado. Os rótulos do país responderam, em 2025, por quase metade das importações brasileiras de vinho. A liderança também se reflete nos envios de rótulos chilenos para o mundo: nosso mercado concentra 20% do volume e 18% do valor das exportações de vinho do país. Nos últimos 12 meses, o Brasil lidera com vantagem e acumula 8,8 milhões de caixas, no valor de US$ 219 milhões.



Assim, o Wines of Chile deste ano ganhou ares de celebração. A programação do evento, que é exclusiva para profissionais do setor convidados, teve início com uma masterclass sobre a harmonização de vinhos e salmão, com receitas exclusivas criadas pelo chef Rafa Gomes, vencedor do MasterChef Brasil 2018.
Em seguida, o Hotel Unique abriu suas portas para o aguardado Walkaround Tasting, onde o público estimado em 500 pessoas pode degustar rótulos de três importantes regiões do país:
– Influência Marinha Direta: Vinhos da Costa chilena
– Influência em Direção aos Andes: Vinhos entre Cordilheiras e Andes
– Influência do Deserto ao Sul Austral: Vinhos dos Extremos do Chile




Estiveram presentes as vinícolas: Aquitania, Aromo, Casa Silva, Casas del Bosque, Chocalan, Concha y Toro, De Martino, Emiliana, Estampa, Garcés Silva, Indómita, Lapostolle, Loma Larga, Maquis, Maturana, Odfjell, Pérez Cruz, Requingua, Santa Rita, Sutil, Trasiego Wines, Ventisquero e Ventolera.
“A relação entre o Chile e o Pacífico ajuda a contar uma parte importante da história de nossos vinhos. A extensa costa do país e a presença de diferentes condições climáticas contribuem para a diversidade de regiões e estilos encontrados no território chileno, especialmente em áreas de influência marítima. Uvas como Sauvignon Blanc, Chardonnay e Pinot Noir estão entre as variedades que se beneficiam de condições mais frescas, enquanto outras regiões oferecem ambientes ideais para tintos de maior estrutura”
Julio Alonso, diretor comercial da Wines of Chile
A degustação
O Portal Mesa de Bar foi convidado e pode degustar excelentes rótulos, inclusive de vinhos que ainda não estão disponíveis no mercado brasileiro. Tanto que era grande o interesse de pequenos produtores chilenos que ainda não contam com importadores por aqui em entrar no nosso mercado. Confira a seguir os rótulos que mais gostamos.
Começamos pelos vinhos brancos. O Amayna Chardonnay é produzido pela Viña Garcés Silva, um dos mais renomados produtores do Chile da região vitivinícola do Vale de San Antonio-Leyda. Ele tem um aroma agradável, que lembra abacaxi, e um sabor frutado, com um leve amadeirado vindo da passagem por carvalho. Um vinho fresco e equilibrado e um final levemente mineral. Passamos para o Green Quartz produzido no Vale de Casablanca pela vinícola Trasiego. O nome faz referência ao solo do terroir, rico em quartzo. O Chardonnay tem um perfil frutado cítrico e bastante fresco, sem passagem por barricas de carvalho, com um final mineral que faz jus ao nome.
Hora de experimentar alguns renomados. Começamos por um Lapostolle. A surpresa é que este Grand Selection Sauvignon Blanc 2025 é um vinho branco seco, cítrico, que lembra pêssego e maracujá com um leve dulçor no final. Passamos para o Odfjell Armador Chardonnay 2025, produzido em vinhedos orgânicos no Vale do Maule. Um vinho suculento, sedoso e de muito frescor. Dois excelentes vinhos!








A renomada Concha Y Toro também tem um ótimo Chardonnay. O Amelia é produzido a partir das uvas cultivadas no Vinhedo Quebrada Seca, localizado no Vale do Limarí, com influência oceânica e maturação por 12 meses em barricas de carvalho francês, que conferem a ele muito frescor, amadeirado e mineralidade. Um vinho sofisticado. Da mesma Concha Y Toro provamos também o Marques de Casa Concha Chardonnay, que também matura por 12 meses em barricas de carvalho francês e entrega um sensorial que combina um floral com pera e avelã e notas minerais. Um vinho macio e bem agradável.
Quel tal um espumante? Experimentamos o Potro de Piedra Brut Nature, um blanc de blancs 100% Chardonnay produzido pela Viña Requingua no Vale do Curicó que lembra damasco e abacaxi. Premiado por críticos como Tim Atkin, ele se destaca por não ter açúcar adicionado e por seu sabor equilibrado, com um leve amadeirado no final. Bem interessante.
Voltamos para os Chardonnay com o Sutil, produzido pela Viña Sutil, no Vale do Colchagua. Um vinho elegante, cremoso, que lembra pêssego e maçã verde com um toque de baunilha e um leve mineral. E na sequência provamos o Sol de Sol da Viña Aquitania. Aqui cabe um adendo. Esta vinícola foi fundada em 1984 por enólogos de Bordeaux em parceria com o enólogo Felipe de Solminihac em uma região bastante fria no Vale de Malleco (Traiguén), no sul do Chile. Só por isso valeu a curiosidade de experimentar este vinho amadurecido em barricas de carvalho francês que entregou complexidade e muita mineralidade, com notas de maçã verde, pêssego e avelã.






O Tara Atacama Chardonnay é produzido pela Ventisquero no clima extremo do deserto do Atacama. Um vinho branco cítrico seco, porém, com bastante frescor e notas de damasco e ótima mineralidade. Ponto para a ousadia. Aproveitamos para provar um Chardonnay Gran Reserva da Casa Silva. Produzido no Vale de Colchagua, na região de O’Higgins, pioneira em denominação de origem, ele é um belo single vineyard com um aroma frutado muito agradável e sabores de abacaxi e damasco, com toques cítricos. Da mesma vinícola provamos o Cool Coast Sauvignon Blanc Viñedo de Paredones, do mesmo vale, frutado, seco, com intensa mineralidade.
Por falar em Sauvignon Blanc, provamos o Dogma, da Viña Aromo, no Vale do Maule, vindo de um terroir de muita incidência solar e grande amplitude térmica, com noites frescas que favorecem o amadurecimento das uvas e realçando o frescor e o sabor que remete a frutas tropicais, como maracujá e abacaxi.
Pausa para um rosé. O Perez Cruz Rosé Lingal, do Vale del Maipo, é feito com 50% de grenache e 50% de mourvèdre, tem aquele sensorial característico de frutas vermelhas frescas (morango e framboesa) e notas cítricas (limão, grapefruit). Um vinho que surpreendeu por ser bastante fresco, elegante, leve e refrescante.
Os tintos
Passamos para uma degustação de ótimos vinhos tintos chilenos. Começamos pelo La Trampa, produzido pela vinícola Casas del Bosque nas colinas da região de Casablanca, que também se aproveita da amplitude térmica para produzir um vinho especial. Ele é um blend de 65% syrah, 32% malbec e 3% pinot noir, com 18 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francesas. Um vinho de aromas e sabores complexos, que remetem a amora, framboesa, pimenta do reino e uma suave mineralidade.
Eleito “Vinho Revelação” pelo Guia Descorchados 2026, o Amayna Côte D’Mar 2022 é feito pela Garcés Silva Family Vineyards, pioneira no cultivo da uva pinot noir e sauvignon blanc em San Antonio (Leyda), uma das regiões mais frias do Chile bem próxima ao mar. Ele é um blend de syrah (85%), viognier (5%) e garnacha (10%) com 16 a 20 meses de maturação em foudres e barricas de carvalho francês. Um vinho aromático, encorpado e complexo, com um sensorial intenso de frutas vermelhas, com notas de ervas, madeira e um leve mentolado.








Passamos para o Zardoz Ultra Premium da vinícola Indómita, no Vale do Maipo. Um cabernet sauvignon que parte matura por 18 meses e parte por 24 meses em barricas de carvalho francês. Na boca a gente sente muita fruta vermelha, cassis e notas de especiarias. Um vinho muito elegante de final longo e prazeroso. E qual não foi a surpresa ao aceitarmos um Indómita Merlot Gran Reserva. Diferentemente dos demais merlots, ele é intenso, com forte sensorial de ameixa, cereja e figo e toques de especiarias e baunilha. Excelentes vinhos!
Foi a vez do ótimo Loma Larga Cabernet Franc, um vinho da região de clima bem frio no Vale de Casablanca. Ele estagia por seis meses em barricas de carvalho francês e entrega aquele sabor de frutas vermelhas com toques de ervas, pimenta do reino, tabaco e um leve amadeirado. Excelente! Da mesma Loma Larga provamos o Rapsodia, um blend de cabernet sauvignon, cabernet franc, merlot e syrah, com impressionantes 24 meses de envelhecimento em carvalho francês. Um vinho sofisticado, intenso, com muita fruta vermelha, cereja, alcaçuz, baunilha e cedro. Este que provamos é de 2017, ou seja, um vinho de quase 10 anos em plena forma!
Voltamos aos estandes para provar o Red Quartz Pinot Noir 2024, elaborado no Vale de Casablanca pela Trasiego Wines com envelhecimento curto em barricas de carvalho francês. Um vinho com as características clássicas dessa casta, com aroma de cereja e framboesa, corpo médio e aquele final que lembra morango.
Hora de degustar três vinhos da Lapostolle produzidos no Vale de Apalta no Colchagua. O Lapostolle Apalta Cabernet Sauvignon é um clássico. Um blend de 54% cabernet sauvignon, 23% merlot, 10% carménère, 7% cabernet franc e 6% syrah, com 12 meses de maturação em barricas de carvalho francês. Tem um sensorial intenso de frutas vermelhas, com toques florais, especiarias, cassis e chocolate. O Prelude de Clos Apalta é uma versão mais acessível que o anterior, mas vai pelo mesmo caminho. Ele combina uma base de carménère, com cabernet sauvignon e merlot. Já o Le Petit Clos é um vinho intermediário entre os anteriores, mas também é uma opção mais acessível. Ele é um blend de carmenère, cabernet sauvignon, merlot e petit verdot com 18 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês. Três vinhos espetaculares!




Passamos para o Odfjell Orzada Carignan, um vinho orgânico e biodinâmico feito de uvas de vinhas centenárias de secano no Vales de Loncomilla e Cauquenes, no Vale do Maule, que crescem sem nenhum tipo de irrigação artificial, dependendo apenas da chuva. Elas produzem uvas com sabores concentrados e dão origem a vinhos raros, complexos, encorpados, de grande frescor, com taninos maduros e notas intensas de frutas vermelhas, especiarias e toques florais e salinos. Inclusive, o vinho não passa por barricas de carvalho exatamente para preservar essas características. Um raro prazer.
Outro vinho excepcional que segue uma linha semelhante é o Gê, da Vinícola Emiliana, a expressão máxima da vitivinicultura biodinâmica da marca no Vale de Colchagua. Tanto que o nome vem do grego que significa “Terra“. Ele é um blend de syrah, carménère, cabernet sauvignon e outras castas em porcentagens menores com 16 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês. Você sente as frutas vermelhas, como ameixas e cerejas, com toques de especiarias, cedro, tabaco e um final amadeirado e defumado. É um vinho tinto ícone do Chile.
Passamos para o Herú, um pinot noir ultra-premium da Viña Ventisquero, produzido no Vale de Casablanca com 14 meses de maturação em barricas de carvalho francês. Ele é outro representante clássico dessa uva com sabor de frutas vermelhas, como morango e framboesa, um toque floral e um final sedoso e amadeirado. Um vinho bem elegante.
Demos uma guinada total para provarmos um vinho raro: o Panchita. Ele é totalmente atípico, produzido exclusivamente pela Maturana Wines feito 100% com a rara uva San Francisco (conhecida também como Negramoll). Ele se mostrou bem leve e fresco, com um frutado suave. Um vinho diferente dos tintos encorpados tradicionais chilenos que nos surpreendeu muito positivamente. Vale a descoberta.






Saímos de um raro para um clássico carménère chileno da mesma vinícola. O Maturana Carménère é um varietal com um sensorial típico de groselha, amora, mirtilo, ameixa preta, alcaçuz, eucalipto, cedro e tabaco, com 15 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês. Um vinho sedoso e agradável, com taninos potentes e um final com notas de especiarias e um certo dulçor.
Passamos para o Pérez Cruz Grenache produzido no Vale del Maipo com de 85% de uvas grenache combinado a pequenos cortes de mourvèdre e syrah. Ele não passa por barricas de carvalho para preservar seu frutado, leveza e frescor. E deu certo. Da mesma vinícola provamos o Pircas, um cabernet sauvignon seco, encorpado, de alta qualidade, que passa por amadurecimento em barricas de carvalho francês por cerca de 15 meses. Na taça a gente sente as frutas vermelhas maduras, como cassis e ameixa, notas de especiarias, pimenta do reino e um final mineral. Dois belos vinhos!
O Laku é um vinho muito renomado do Chile produzido pela Viña Requingua no Vale do Curicó. Isto porque ele segue um ritual. Desde 2007, durante o mês de setembro, donos e colaboradores da vinícola se reúnem para participar de várias degustações às cegas de amostras de quase 7.000 toneis. Eles selecionam as 10 melhores, que podem ser de diferentes parcelas e safras, que dão origem e este blend único de alta qualidade que ainda por cima passa 20 meses maturando em barricas de carvalho francês. Por isso, a composição final é um segredo que é escrito na rolha e que só é revelado no momento em que se abre a garrafa. Este que degustamos estava estupendo! Da mesma vinícola provamos o Toro de Piedra Huaquén, um carménère ultra premium de vinhedos de altitude da região Huaquén, no norte do Vale do Maule. É um vinho de corpo médio, complexo e aveludado que exprime esta casta símbolo do país com muita elegância.
Foi a vez de degustarmos o Chocalán Guillermo, outro vinho de alto padrão da Viña Chocalán produzido no Vale do Maipo. Criado em homenagem ao fundador da vinícola, ele é um blend de 68% carménère, 20% cabernet sauvignon, 5% cabernet franc, 5% petit verdot e 2% merlot que amadurece por 18 meses em barricas de carvalho francês. Ele entrega aquele sensorial clássico de frutas vermelhas maduras, ameixa, chocolate amargo, tabaco, grafite e especiarias, com um leve dulçor ao final.



Da mesma Chocalán provamos o Alexia, criado em homenagem à matriarca da família. Ele também é um blend com predominância de cabernet franc, além de carménère, merlot e petit verdot. Um vinho super premium que também amadurece por 18 meses em barricas de carvalho francês igualmente complexo e elegante com notas de frutas vermelhas maduras, cedro e menta. Dois vinhos ícones da vinícola e excepcionais!
Finalizamos nossa degustação com dois vinhos. O Lazuli é um vinho premium, 100% Cabernet Sauvignon, produzido pela Viña Aquitania no Vale do Maipo. É o rótulo emblemático da vinícola, criado por renomados enólogos franceses e chilenos, e envelhece por cerca de 16 meses em barricas de carvalho francês. Aqui o sensorial de frutas vermelhas se combina com notas de eucalipto, especiarias, tabaco e café. Um vinho encorpado e intenso. E provamos finalmente o Chocalán Origen Laderas del Maipo, um vinho gran reserva da Viña Chocalán, também produzido no Vale do Maipo. A linha Origen expressa o terroir de encostas da região, com 70% merlot, 20% cabernet sauvignon, 7% cabernet franc e 3% petit verdot e amadurecimento por 12 meses em barricas de carvalho francês. Dois excelentes vinhos!
O balanço dessa edição do Wines of Chile foi extremamente positivo. O país mostrou que a “Influência do Pacífico” em seus terroirs agregado à expertise dos produtores provocou uma grande evolução no segmento dos vinhos premium, com rótulos que podem frequentar muito bem as adegas mais exigentes. E para esses, os valores não estratosféricos praticados no mercado brasileiro os tornam ainda mais atraentes, o que pode fazer com que os bons números das vendas revelados se mantenham e até aumentem.
Destaque também para a o apoio do Consejo del Salmón Chile que proporcionou um banquete de salmão e para o buffet de outras delícias para os presentes. Parabéns aos produtores e aos organizadores pelo belo evento. Mais informações no site: www.winesofchile.org e no Instagram: @winesofchilebr
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