A Seafood, principal feira de pescados e frutos do mar da América Latina, reuniu em São Paulo 125 expositores de diversos países e milhares de visitantes

A Seafood Show Latin America 2026 aconteceu entre 20 e 22 de outubro de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, reuniu 130 marcas expositoras do Brasil e de diversos países e atraiu representantes da indústria, produtores, distribuidores, varejistas, chefs, food service e compradores de sete países além de milhares de visitantes, consolidando o evento como a principal feira do setor de pescados e frutos do mar da América Latina.

A programação da feira incluiu não só estandes de pescados e frutos do mar, mas também workshops, show cookings, degustações e palestras, que abordaram temas como comércio internacional, formação profissional, certificações, sustentabilidade, inteligência artificial, tecnologia, inovação e mudanças no comportamento do consumidor.

A feira também promoveu o Campeonato Brasileiro de Sushi. A prestigiada competição testou o domínio técnico dos profissionais perante juízes internacionais. O campeão geral deste ano foi Breno José seguido por Marcia Megumi e Duany Alves em 3º lugar. Breno garantiu uma vaga para representar o Brasil na Copa do Mundo de Sushi (World Sushi Cup) em Tóquio, no Japão, em 2028.

O Portal Mesa de Bar esteve na feira para conferir não só os pescados e frutos do mar como também as bebidas que os expositores reservaram para a harmonização. Apesar de ainda tímida, a participação de bebidas alcoólicas na feira mostrou que os setores podem muito bem se complementar.

Peixes e afins

Virou tradição a exibição de um imenso atum Bluefin que sempre é uma das maiores atrações da Seafood. A famosa Cerimônia Kaitai ( o corte ao vivo do gigante) foi conduzida pelo renomado chef e professor japonês Hirotoshi Ogawa, que destrinchou um atum Bluefin gigante de 260 quilos. O exemplar foi apontado pela organização como um dos maiores atuns dessa espécie já vistos no Brasil. O atum Bluefiné um peixe espetacular que pode atingir mais de 4 metros de comprimento e pesar mais de 600 quilos. É um troféu cobiçado por pescadores e por chefs de cozinha pela nobreza de sua carne.

Em outros estandes também foi possível ver um Bluefin cortado em pedações e até um salmão inteiro aprisionado em um bloco de gelo. Mas um gigante brasileiro dos rios amazônicos acabou roubando a cena. O pirarucu é o maior peixe de escama de água doce do mundo e pode chegar a três metros de comprimento e pesar 200 quilos. O Projeto Rural Sustentável (PRS) – Amazônia do IABS (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade), realiza um belo trabalho de conscientização ambiental junto aos pescadores e ribeirinhos da Amazônia. E trouxeram para a feira um exemplar de 140 kg e mais de 2 metros de comprimento para o corte e exibição de sua excelência. Mas no discurso da apresentação a ênfase foi a proteção da espécie contra a pesca predatória, a valorização do manejo sustentável da espécie por comunidades para a venda de adultos (acima de 1,5 metros), respeitando seu ciclo de vida, e contra a venda do peixe no mercado paralelo. E ainda destacou as possibilidades de uso consciente do peixe na alta gastronomia. Sem dúvida, a apresentação foi um dos pontos altos da feira. Parabéns!

Outro Projeto de desenvolvimento sustentável da maricultura também chamou bastante atenção. Maricultura é o cultivo de peixe, mexilhão, ostra, vieira, algas e crustáceos em ambientes costeiros ou marinhos. O Projeto “Mar É Cultura” trabalha para o desenvolvimento sustentável da maricultura no Estado de São Paulo a fim de promover a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade a geração de trabalho e renda para as comunidades costeiras e para a manutenção do equilíbrio ambiental. O desafio é grande. Os roteiros turísticos precisam incentivar o consumo desses produtos locais apoiando a realização de festivais e readequar e estimular com recursos as fazendas do litoral paulista para ampliar a geração de renda e a produção sustentável desses alimentos. A região de abrangência do projeto inclui Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, no litoral norte, e Cananéia, no litoral sul. Outra iniciativa de grande relevância que precisa de visibilidade e apoio. Ponto para o projeto e para a Seafood!

Por falar em gastronomia envolvendo pescados e frutos do mar, a demanda para o setor de bares e restaurantes cresceu muito. E também as tecnologias de processar, embalar e distribuir. Em diversos estandes de fornecedores brasileiros e estrangeiros presentes na feira foi possível observar como o setor está organizado e ativo. Os peixes e frutos do mar, digamos, mais conhecidos, contam com inúmeras formas de cortes, tamanhos já porcionados e embalados para entrega. Outros menos conhecidos, novas espécies ou mais nobres vão pelo mesmo caminho, em diferentes cortes e formas a fim de valorizá-los na cozinha profissional, mas em menor escala e em menos fornecedores.

Um exemplo que muitos conhecem, mas poucos sabem de sua abrangência é a Ceagesp. No seu estande ficamos sabendo que ela é a maior central de abastecimento da América do Sul e muito forte no setor de pescados. Lá acontece a maior feira de pescados do Brasil, por onde circulam 116 espécies de peixes e frutos do mar de todas as regiões brasileiras e de países como Chile, Uruguai e Argentina. São simplesmente 304 toneladas de pescados comercializados por dia! Uma potência de orgulhar.

E há coisas muito pontuais também, como no estande do Rei das Ovas. É surpreendente a quantidade de diferentes ovas de peixes disponíveis para a gastronomia. Contamos mais de 15 só de olhar e tinha até uma ova trufada que experimentamos e gostamos bastante.

A feira também apresentou produtos que gravitam no universo seafood. A Shiki oferece todo tipo de louça de cerâmica e material de apoio para a gastronomia japonesa. E a Sakai Takayuki é especializada em facas. São inúmeros modelos, impressionantes pelas diferenças de tamanhos, formatos e acabamentos. Muitas delas artísticas, com figuras nas lâminas que parecem tatuagens feitas por gravação manual artesanal que são verdadeiras obras de arte. Inclusive a empresa trouxe para a feira a artesã Michiko Kubota que personalizou as facas compradas no estande com os nomes dos clientes ou com mensagens em japonês.  

Outra atração foram as máquinas de fazer bolinhos de arroz para os sushis e outras de apoio para restaurantes japoneses. Tinha até aquele sistema de sushi de esteira, chamado de Kaitenzushi, que rodava com pratinhos com sushis cenográficos em cima criando um efeito hipnótico para quem passava por perto. Coisas de feira…

Outras empresas que chamaram a atenção foram a Sakura e a Kikkoman. Ambas oferecem uma linha imensa de molhos, como shoyu, tarê, pimenta, barbecue, inglês, yakissoba… e ainda diversos tipos de sake culinário. A Kikoman é dona também da Azuma, marca tradicionalíssima do mercado brasileiro de sake. Omais recente lançamento é o Azuma Sake Flavors Uva Verde, da linha Sake Flavors, de sakes aromatizados, com apenas 14% de teor alcoólico, e prontos para o consumo puro, bem gelado, ou em coquetéis. Uma aposta da marca para atrair o público jovem adulto brasileiro.

As bebidas

A participação das bebidas na feira foi tímida, mas haviam boas opções. Claro que provamos ótimos sakes. Além do de uva verde, degustamos dois em especial. O que mais gostamos foi o Kimoto Junmai Taiheizan, uma renomada marca de sake japonês artesanal produzida pela Kodama Brewery, localizada na província de Akita. Junmai significa que ele é feito apenas com arroz, água e koji, sem adição de álcool destilado, e Kimoto é o método tradicional e artesanal que favorece a proliferação natural de ácido lático, resultando em mais corpo, complexidade, profundidade e acidez vibrante. Já a marca Taiheizan significa “Grande Montanha Pacífica”, uma referência à água pura utilizada para a feitura da bebida que veio das icônicas Montanhas Shirakami. E para quem gosta de saber detalhes, ele usa o arroz Miyamanishiki com 59% (Seimaibuai) de polimento. Ele tem 15% de teor alcoólico e desce muito macio, leve, fresco, frutado, com notas de nozes. Belíssimo!!!

Menção honrosa também para outro sake artesanal produzido pela Kodama Brewery, o Taiheizan Junmai Daiginjo Tengu. O rótulo é todo escrito em japonês, mas deu para saber que ele também é feito sem adição de álcool destilado e usa o arroz Yamadanishiki, com taxa de polimento de 40% (Seimaibuai) e 16% de teor alcoólico. Ele é apenas um pouco doce ao final.

E provamos também uma ótima cerveja japonesa. Lançada em 1987, a Asahi Super Dry é hoje a cerveja número um do Japão. Ela é uma Japanese Rice Lager com final seco, por isso o “super dry”. O sucesso é tamanho que ela deu origem ao estilo karakuchi (seco) de cerveja. Ela é feita de água, malte de cevada, lúpulo, arroz e amido de arroz, utilizando a levedura exclusiva Asahi #318. Tem 5% de teor alcóolico e 20 IBU. Uma cerveja muito leve, refrescante, fácil de beber. E a ótima notícia é que ela já está disponível no Brasil pela Tradbras, do grupo JFC, tradicional importadora e distribuidora de diversas marcas e produtos japoneses. Ela chega aqui vinda de uma fábrica na… Itália! Coisas desse mundo globalizado.

Entre os estandes internacionais destaque para o do Salmão do Chile, que, obviamente, promovia esse campeão de vendas aqui no Brasil com intenso networking e muitos negócios. E com a gentileza de um belo vinho chileno para os visitantes. Provamos o Tradición del Itata Blend que é produzido no Vale de Itata, na região de Ñuble, uma das regiões vinícolas mais antigas e históricas do Chile. E é feito majoritariamente da uva País (55%), que foi trazida por colonizadores espanhóis no século XVI e é a uva europeia mais antiga plantada por lá e hoje considerada um verdadeiro patrimônio histórico chileno. Completam o blend 45% da uva Cinsault. Ele foi fermentado em lagares tradicionais de raulí (madeira típica chilena) e depois amadurecido em tanques de aço inoxidável, sem passagem por barricas de carvalho para preservar a pureza das frutas vermelhas e negras maduras, além de seu suave aroma floral. Um vinho fresco, suculento, sedoso e equilibrado, ainda não disponível no Brasil, mas que é excelente!

E para encerrar nossa passagem pela feira, confraternizamos com amigos com sushis especiais harmonizados com dois vinhos. O Amayna Sauvignon Blanc é um vinho chileno produzido pela Viña Garcés Silva no Vale de Leyda (Vale de San Antonio), uma região costeira de clima frio influenciada pela brisa do Oceano Pacífico. Um vinho fresco, com notas de maracujá e lima e um final levemente mineral. Um vinho com 95 pontos no Guia Descorchados.  E por último o Lapostolle Cuvée Alexandre Carménère, um dos vinhos tintos mais prestigiados do Chile, produzido pela vinícola Lapostolle no Valle de Apalta (dentro do Valle de Colchagua). Envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho francês, ele tem um sensorial de frutas, como amora e ameixa, baunilha, chocolate amargo, especiarias, um toque de pimentão e um final amadeirado. Um vinho macio, aveludado e extremamente agradável que fechou com chave de ouro nossa participação na feira.

Como balanço final, podemos afirmar que a edição deste ano da Seafood refletiu o bom momento, o volume de negócios, a abrangência e a importância da indústria de pescados e frutos do mar no Brasil. Nos vemos em Seafood 2027! Mais informações no site: https://seafoodshow.com.br/ e no Instagram: @seafoodshowbr