Mapa divulga o Anuário da Cerveja 2026 que aponta retomada do crescimento no número de produtos registrados e de 2,1% nas marcas de cerveja
O setor cervejeiro brasileiro alcançou, em 2025, um novo marco de expansão e diversificação. O Anuário da Cerveja 2026, publicação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), registrou uma produção de 15,69 bilhões de litros da bebida no país pelo maior número de cervejarias da série histórica, com 1.954 unidades distribuídas em 794 municípios brasileiros, consolidando a relevância econômica, social e cultural da cadeia cervejeira no país.
Os dados revelam uma indústria madura, resiliente e em constante transformação. Mesmo diante de um cenário marcado por desafios macroeconômicos e climáticos ao longo do último ano, o setor manteve sua trajetória de fortalecimento, impulsionado pela inovação, ampliação de portfólio e diversificação de categorias.




A expansão territorial também evidencia a capacidade do setor em gerar emprego e renda localmente. Pela relação direta entre qualidade e frescor, a produção está cada vez mais se aproximando do consumo, favorecendo a interiorização, o desenvolvimento regional e a formação de ecossistemas cervejeiros produtivos distribuídos pelo país.
Atualmente, o setor cervejeiro está presente em quase 800 municípios brasileiros, gera mais de 2,5 milhões de empregos ao longo da cadeia produtiva, responde por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e segue investindo em tecnologia, inovação e sustentabilidade.
“Os números do Anuário mostram um setor que segue evoluindo e ampliando sua presença no país. Nos cenários desafiadores que enfrentamos em 2025, a cerveja provou que pode se reinventar e se adaptar. O brasileiro faz questão da cerveja em seus momentos de celebração e conexão. E isso faz com que ela seja incomparável”
Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv)
“O crescimento do número de cervejarias e da presença territorial demonstra a força do ecossistema cervejeiro brasileiro. A diversidade de estilos, modelos de negócio e perfis produtivos tem contribuído para tornar o mercado mais plural, inovador e conectado aos territórios”
Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva – Associação Brasileira de Cerveja Artesanal
Raio X dos Estados
O estado com o maior número de cervejarias registradas segue sendo São Paulo, com 452 estabelecimentos, apresentando um crescimento de 5,9%, com 25 novas unidades em relação ao ano anterior. Apenas nove estados apresentaram aumento no número de cervejarias: Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo.
Seis estados mantiveram em 2025 o mesmo número de cervejarias registradas: Acre, Amapá, Distrito Federal, Pará, Roraima e Sergipe. E apenas 12 estados apresentaram queda no número de cervejarias registradas: Alagoas, Amazonas, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins. O estado com o maior decréscimo em números absolutos foi o Rio Grande do Sul, com 24 cervejarias a menos em relação ao ano anterior.




A região Sudeste segue sendo aquela que detém o maior número de cervejarias registradas no país, com 47,2% do total contabilizando 923 estabelecimentos, 34 a mais do que apresentava em 2024, o que representa um crescimento de 3,8%. A maior redução relativa aconteceu na região Nordeste, com diminuição de 8,5% no número de cervejarias registradas, o que representa 12 estabelecimentos a menos em comparação com o ano anterior. Em números absolutos, no entanto, a maior redução foi verificada na região Sul, com 15 cervejarias a menos em comparação ao ano anterior, de 774 para 759 em 2025.
Marcas, exportações e agronegócio
Além do recorde de cervejarias, o Anuário aponta outros resultados expressivos para o setor em 2025. Destaque para a retomada do crescimento no número de produtos registrados, que alcançou 44.212 registros, um crescimento de 2,1% nas marcas de cerveja registradas, totalizando 56.170 cervejas diferentes disponíveis no mercado nacional.
Há outros fortes indicativos, como o maior valor exportado da série histórica, com US$ 218,3 milhões. O Paraguai continua sendo o nosso maior cliente, responsável por 63,7% do volume de cervejas exportado pelo Brasil. Por outro lado, houve também um aumento expressivo de 251,4% nas importações de cerveja, mais do que o dobro de 2024. E em 2025 os Estados Unidos ultrapassaram a Alemanha, atingindo a marca de 74,2% do volume das cervejas importadas pelo Brasil. Entretanto, os números indicam um superávit recorde de US$ 195 milhões na balança comercial do setor, com exportações para 77 países.
Há de se olhar com atenção também alguns dados específicos aferidos pelo Anuário, como o crescimento de 417,6% em relação a 2024 na produção de cervejas sem glúten, que alcançou 367,9 milhões de litros. Este consumo corresponde a aproximadamente 2,35% dos 15,69 bilhões de litros da bebida produzidos no país.
E se formos adicionar os efeitos da produção cervejeira na agricultura brasileira os resultados são ainda mais animadores. Segundo dados de 2024 do IBGE e da Aprolúpulo – Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo, o Brasil produz 540 mil toneladas de cevada e 81,3 toneladas de lúpulo, principais ingredientes da cerveja. Uma produção ainda incipiente para suprir a demanda nacional, mas que está crescendo exponencialmente. Ou seja, a tendência é de que os indicadores aumentem ainda mais em 2027 confirmando a retomada do crescimento do setor cervejeiro como um todo.
A combinação entre tradição, inovação, capilaridade, empreendedorismo e a força do campo no Brasil reforça uma característica que acompanha a cerveja ao longo da história: sua capacidade de conectar pessoas, territórios e culturas. Em um país marcado pela diversidade, a cerveja segue sendo, também, um símbolo de encontro, celebração, pertencimento e desenvolvimento. Mais informações e a íntegra do Anuário 2026 pode ser acessada nos sites: www.gov.br/agricultura/pt-br e www.sindicerv.com.br/
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