A 13ª Edição do Festival Vinhos de Portugal, o maior evento dedicado aos vinhos portugueses no Brasil, encantou admiradores em São Paulo
A 13ª Edição do Festival Vinhos de Portugal, o maior evento dedicado aos vinhos portugueses no Brasil, aconteceu de 28 a 30 de maio, no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, encantou seus admiradores com uma programação completa, com degustação, atrações inéditas e presença de alguns dos mais importantes nomes do vinho português. Foram 77 produtores lusitanos expondo seus principais rótulos, representando todas as regiões vitivinícolas do país.
O tradicional Salão de Degustação ofereceu 10 sessões. A primeira foi exclusiva para profissionais do setor, imprensa e convidados com duração de três horas. As outras nove foram abertas ao público mediante compra de ingressos, com duração de duas horas. Durante as sessões, os participantes puderam provar cerca de setecentos rótulos e conversar diretamente com produtores e enólogos, em uma oportunidade única para conhecer a diversidade e a qualidade dos vinhos portugueses.




A programação incluiu ainda 16 provas comentadas, conduzidas por alguns dos principais especialistas em vinho do Brasil e de Portugal. Cada prova teve duração de uma hora, com degustação de seis vinhos para grupos de até 30 pessoas. Foi uma oportunidade única oferecida aos participantes para degustar grandes vinhos e ouvir histórias contadas por seus próprios criadores.
O evento ofereceu também uma programação dedicada ao enoturismo, com sessões sobre destinos e experiências em Portugal, um bar e uma loja oficial de vinhos.
Alguns produtores portugueses participaram pela primeira vez do evento em São Paulo, como Carlos Agrellos, enólogo da Quinta da Romaneira, Manuel Lobo de Vasconcellos, enólogo da Quinta do Crasto e Paulo Nunes, referência da região do Dão. Destaque também para a participação de Sandra Tavares e Jorge Serôdio Borges, da Wine & Soul, eleitos ”Enólogos do Ano” de 2026 pela Revista de Vinhos e referências da moderna enologia portuguesa, além de nomes consagrados, como Luís Pato, Anselmo Mendes, Tiago Alves de Sousa e António Maçanita.
O Portal Mesa de Bar esteve presente na sessão profissional e traz a seguir um pouco do que degustou por lá.
A degustação
Começamos muito bem nossa degustação reencontrando a produtora Laura, da Quinta da Casa Amarela, à frente dessa vinícola familiar que produz excelentes vinhos na margem esquerda do Rio Douro. Começamos degustando o ótimo Grande Reserva branco, um blend de viozinho, rabigato e gouveio com oito meses de maturação em barricas de carvalho francês. Um vinho fresco, cítrico, levemente amadeirado. Passamos para o Grande Reserva Elísio feito das castas touriga franca, touriga nacional tinta roriz, e outras (segredo) de vinhas velhas que passou 16 meses em barricas de carvalho francês. Um vinho elegante, aromático, com sabor de frutas vermelhas maduras e notas de especiarias e chocolate, com um amadeirado ao final.







Passamos para o vinho branco Pequeno Dilema, da Symington Family Estates, do Douro, elaborado com as uvas arinto (35%), viosinho (20%), códega do larinho (20%), rabigato (20%) e alvarinho (5%). Ele resolveu bem o dilema combinando todas essas castas, uma vez que o vinho ficou muito equilibrado, aromático, cítrico e macio, com toques de amêndoa, baunilha e um leve amadeirado. Também da Symington provamos o Post Scriptum Chryseia, feito de de um blend de touriga nacional (50%), touriga franca (25%), tinta roriz (5%), tinta barroca (5%) e 15% de outras variedades que maturaram por 12 meses em barricas de carvalho francês.
Impossível não se encantar com as lânguidas garrafas da Soalheiro e de seus ótimos Alvarinhos produzidos na sub-região de Melgaço, famosa pelos vinhos verdes. O clássico Soalheiro Alvarinho é um branco seco, aromático, fresco de sabor intenso. O Granit é um alvarinho mais mineral. O Soalheiro Primeiras Vinhas é elaborado de castas de vinhas com mais de 30 anos, mais encorpado e macio. O Soalheiro Reserva é excelente, denso e cremoso, com um amadeirado no final por conta dos 11 meses maturando em barricas de carvalho. E, por fim, o Soalheiro Allo, que é uma combinação das castas alvarinho e loureiro, um vinho, aromático, mineral e muito equilibrado. Todos vinhos frescos, complexos e muito saborosos.
Daí pausa para os vinhos do Luís Pato. O Vinhas Velhas é considerado um dos melhores vinhos portugueses. Ele é feito com a uva baga de vinhas de mais de quarenta anos da região da Bairrada. Um vinho excepcional, intenso, elegante, frutado com notas de especiarias e amadeirado. O Vinha Barrosa é outro vinhaço do Luís Pato, entre os grandes tintos de Portugal elaborado também de uvas bagas só que de vinhas centenárias. Uma preciosidade… Detalhe interessante: no estande aconteceu um inusitado encontro entre Pato e um sósia, que arrancou sorrisos de todos ao redor.








Passamos para a região do Alentejo para provarmos o vinho da Lobo de Vasconcellos LV Reserva composto por 40% syrah, 30% cabernet sauvignon, 20% touriga nacional e 10% alicante bouschet, com 18 meses de maturação em barricas de carvalho francês. Um vinho encorpado, aveludado, com o tradicional sensorial de frutas vermelhas e especiarias. Também da Vasconcellos provamos o Sublime, um 100% Touriga Nacional com 12 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês que segue a mesma característica, com um perfil frutado com notas de especiarias, mas um pouco mais leve e fresco que o anterior. E fechamos as preciosidades da vinícola com o Vinha do Norte. Este é produzido na região do Douro, parte do projeto de expansão da Vasconcellos para outras regiões portuguesas. Só para se ter uma ideia, ele é um blend de 40% touriga nacional, 40% touriga franca e 20% tinta roriz com envelhecimento de 20 meses em barricas de carvalho francês. Belo vinho!!
Mudamos para a região do Dão para degustarmos da Quinta do Mondego o Munda D.O.C., um 100% gouveio maturado por 10 meses em barricas de carvalho francês. Um vinho branco elegante, fresco, com aromas florais e de frutas cítricas e um sabor frutado, com um amadeirado e um toque mineral característico dos terroirs do Dão. Já o Munda Touriga Nacional estagia por 18 meses em barricas de carvalho francês. Um vinho suave, elegante, de aroma intenso e o sensorial típico desta casta portuguesa emblemática. E também provamos o Quinta do Mondego Reserva Family Blend D.O.C. um blend de 40% touriga nacional, 35% tinta roriz, 10% jaen, 10% alfrocheiro e 5% baga. Um vinho intenso, com corpo médio, um sensorial de frutas vermelhas maduras com toques de pimenta do reino, mentol e uma leve mineralidade.
Passamos para o Quinta do Casal Branco Reserva DOC Tejo, um tinto elaborado com as uvas syrah, touriga franca, castelão e alicante bouschet. Um vinho intenso, com bastante frutas vermelhas, ameixa e notas amadeiradas vindas do estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês, e 14,5% de teor alcóolico. Outro exemplar do Tejo que provamos foi o Casa Cadaval Riesling, com aquele aroma, frescor e sabor pronunciados do estilo, com notas de pêssego e uma leve doçura no final. O produtor nos apresentou ainda o Marquesa de Cadaval, um blend de touriga nacional, trincadeira e alicante bouschet. Um vinho intenso, encorpado, com aquele sensorial de frutas vermelhas maduras, com toques de especiarias e de chocolate com final longo. Belo vinho!








Hora de um bom espumante para levantar o astral… Provamos um Quinta da Romeyra Espumante Brut, um 100% arinto. A vinícola fica em Bucelas, uma vila a cerca de 25 km ao norte do centro de Lisboa. A região é dedicada à produção de vinhos brancos e famosa por ser a “Capital do Arinto“. Ou seja…
Voltamos para o Alentejo para provar o Herdade do Peso Reserva, um blend de alicante bouschet e touriga nacional com 12 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês. Um vinho equilibrado e elegante, com um sensorial intenso de frutas vermelhas, especiarias e um tabaco no final. Já o Herdade do Peso Parcelas é um 100% alicante bouschet intenso, com sensorial de frutas vermelhas maduras, com toques de especiarias, cedro e menta. Ótimo vinho! Também do Alentejo provamos o Régia Colheita da vinícola Carmim, um blend de trincadeira, alicante bouschet e aragonez com quatro meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano. Um vinho equilibrado, com sensorial de frutas vermelhas maduras, como amora, cereja e ameixa, com toques de especiarias e chocolate.
Voltamos ao Douro para degustarmos o Casa Ferreirinha Castas Escondidas, um blend extenso de 18% vinhas velhas, 18% tinta amarela, 15% touriga fêmea, 14% tinta francisca, 12% tinto cão, 10% touriga nacional, 9% touriga franca, 2% marufo tinto e 2% bastardo. Explica-se. O Douro possui mais de 100 castas de uvas autorizadas para a produção de seus vinhos, por isso este é elaborado a partir de uma combinação de parcelas de terroirs nobres do Douro onde a Casa Ferreirinha tem seus vinhedos. E o Castas Escondidas usa variedades típicas dos cortes utilizados para elaborar vinhos do Porto, por isso este vinho é muito diferente dos demais. Um ótimo vinho, encorpado, com um frutado intenso e um final amadeirado perceptível graças aos 18 meses de maturação em barricas de carvalho francês.
Ainda pelo Douro encontramos com os amigos e a querida enóloga Ana Rola, da Rola Wines, e degustamos o Grande Reserva Sousão 2021, um vinho de sabor e aromas intensos de frutas negras maduras, como cereja e ameixa e notas florais. Degustamos ainda o Grande Reserva Touriga Nacional, que estagiou por 14 meses em barricas de carvalho francês. Um ótimo vinho, intenso, frutado, que ao final ainda entrega um leve toque de menta.






Da Quinta dos Roques, da região do Dão, provamos o Garrafeira, um 100% tinta roriz intenso, mas fresco, com um frutado denso e notas de pinho e tabaco. Belo vinho!
Da vinícola Anselmo Mendes provamos o Muros de Melgaço, feito de uvas alvarinho da região de Monção e Melgaço, no Minho. Um vinho estruturado, bastante cremoso, mineral, com características típicas desta casta, como um sensorial de pera e pêssego, com toques salinos e amadeirados. A Anselmo Mendes é uma vinícola de excelentes rótulos. No estande ainda tinham outros alvarinho incríveis. O Parcela Única, considerado o melhor branco de Portugal e um dos melhores vinhos produzidos do mundo, o Curtimenta, que segue a mesma excelência e é feito segundo aquele método no qual as uvas são maceradas com as cascas, o que resulta em um vinho mais encorpado e de aromas e sabores mais intensos, e o A Torre, um alvarinho de edição limitada que dispensa adjetivos. Que experiência!!!
Para celebrar, degustamos o Espumante Marquês de Marialva Reserva D.O.C. Bairrada, feito de 50% de bical e 50% de arinto, da Adega de Catanhede. Elaborado pelo método tradicional, com segunda fermentação em garrafa, ele é um espumante extraordinário. Fresco, elegante, cremoso, com aquela perlage fina que atesta sua qualidade… um espetáculo!
Aproveitamos a régua alta para degustar outro vinho incrível da Bairrada: o Marquês de Marialva Grande Reserva, um blend de 50% baga e 50% touriga nacional, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês. Entrega um equilíbrio entre frutas vermelhas maduras, como amora e ameixa, com um sensorial de tabaco, cassis, especiarias e um amadeirado sutil. E seus 14,5% de álcool estão muito bem inseridos. Belo vinho!




Continuando na mesma pegada, no estande da Bacalhôa, da região de Setúbal, provamos o Vinha da Má Partilha, um 100% merlot com estágio de 14 meses em barricas de carvalho francês. Também traz o sensorial de frutas vermelhas maduras com notas florais, terrosas, herbais e de especiarias, com toques de grafite e um amadeirado perceptível. Um vinho intenso, bem cremoso para um merlot. Da mesma Bacalhôa, mas da região do Alentejo, provamos o Quinta do Carmo, um blend de aragonez, alicante bouschet e cabernet sauvignon, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês. Ele repete a fórmula das frutas vermelhas maduras com complexidade, com toques de baunilha. Um vinho muito equilibrado e elegante.
Ainda na Bacalhôa provamos o Quinta da Bacalhoa Cabernet Sauvignon, produzido na região da Península de Setúbal. Um cabernet sauvignon com merlot, na realidade. Mas um vinho encorpado e equilibrado, com sensorial de frutas vermelhas maduras, notas de especiarias e amadeirado, com um final longo e agradável. E provamos também Baga Vinha da Dôna Bairrada Clássico. O nome já diz tudo: um 100% baga clássico da região da Bairrada, com 14 meses de estágio em barricas de carvalho francês que dão a ele um sensorial de frutas vermelhas maduras, especiarias e notas terrosas, de chocolate e cogumelo. Excelentes vinhos!
Hora de um clássico. Degustamos o Esporão Reserva, o primeiro vinho feito pelo Esporão a partir de um blend de alicante bouschet, trincadeira, touriga nacional, aragonez e cabernet sauvignon de produção orgânica que estagiou por 12 meses em barricas de carvalho americano. Ele tem um sensorial de frutas vermelhas, como amora e ameixa, com notas de especiarias, como canela e alcaçuz. Um vinho fresco, intenso e equilibrado.
A Herdade da Malhadinha Nova, na região do Alentejo, produz um vinho que na verdade é um projeto. O Teixinha Field Blend nasce de uma paixão pelo terroir da Serra de São Mamede, em Portoalegre, região mais alta do Alentejo, repleta de árvores e uma nascente. O vinho é elaborado de uvas de vinhas dessa região de mais de cinquenta anos, com o conceito de field blend. A intenção é capturar a alma desse terroir expressa em um vinho feito de maneira artesanal, com estágio de 14 meses em barrigas de carvalho francês e de poucas garrafas. O resultado é um vinho fresco, maduro e redondo, com muito frutado e um amadeirado no final. Ótimo vinho!





O Quinta das Carvalhas Vinhas Velhas é um vinho produzido pela Real Companhia Velha, a mais antiga e emblemática empresa de vinhos de Portugal na região do Vale do Douro. Ele é elaborado de uvas de vinhas centenárias e um pouco de touriga nacional, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês, que dão a ele o sabor do vinho clássico português, com equilíbrio entre aquele sabor de frutas vermelhas escuras e o amadeirado, com final longo e macio.
Da vinícola Chão de São Francisco, da região do Dão, provamos o Chão do Vale Vinhas Velhas Lafões DOC, um vinho branco complexo, intenso, com um sensorial que lembra camomila, limão, damasco, manga, gengibre e biscoito. E também outro branco, o Chão da Quinta Reserva Encruzado, feito dessa casta típica do Dão com uma leve passagem por barricas de carvalho francês, bem encorpado e frutado. Os dois muito interessantes. E provamos também um tinto, o Chão da Quinta Premium Touriga Nacional, que revela as características típicas dessa casta com muita fruta vermelha madura, como ameixa preta, amora e mirtilo, com toques de tangerina, especiarias e um leve amadeirado.
Pausa para um outro espumante, melhor para o Original Cuvée Brut da vinícola Quatro Cravos da região da Bairrada. Feito 100% com a casta bical, ele tem um sensorial cítrico, de pêssego e lichia. Bem cremoso, equilibrado, com uma elevada acidez e perlage fina e elegante.
Finalizamos nossa degustação com o Quinta da Manoella Vinhas Velhas, também produzido no Douro pela vinícola Wine & Soul. Um blend das uvas tinta roriz, tinto cão, touriga franca e touriga nacional cuidadosamente selecionadas de uma parcela única de vinhas com mais de 110 anos. Depois de vinificado ele estagia por 22 meses em barricas de carvalho francês especialmente desenvolvidas para este vinho. Como resultado ele tem um sensorial complexo de especiarias, frutas vermelhas, como cereja e framboesa e notas de grafite e minerais. Um vinho equilibrado, sofisticado, com um final persistente incrível. Uma joia de produção de apenas 4.100 garrafas. Sorte nossa!
Aproveitamos para nos desculpar se não degustamos algum rótulo expressivo do evento, uma vez que haviam muitas opções e não é possível provar tudo. Mas gostaríamos de parabenizar todos os participantes desse evento que é incrível e mandatório para quem gosta, trabalha, produz, sonha… com vinhos de qualidade acima da média vindos de Portugal, que sempre tem uma ligação histórica com o Brasil. Mal podemos esperar pela edição de 2027!
Mais informações no site: https://vinhosdeportugal.com.br/ e no Instagram: @vinhosdeportugalbr_
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