Wine São Paulo e Cachaça Trade Fair reuniram 5.200 compradores que movimentaram R$ 65 milhões em negócios marcando sua edição histórica de 10 anos

A 10ª edição das feiras Wine São Paulo Trade Fair e Cachaça Trade Fair encerrou suas atividades com resultados expressivos. Realizados entre os dias 9 e 11 de junho, no Expo Center Norte, os eventos receberam 5.200 compradores durante os três dias de programação e alcançaram uma estimativa de R$ 65 milhões em negócios.

A edição comemorativa de 10 anos confirmou a importância do evento como plataforma estratégica para geração de negócios, networking e fortalecimento das cadeias produtivas do vinho e da cachaça. O encontro reuniu participantes de seis países e representantes de oito estados brasileiros, promovendo conexões entre produtores, importadores, distribuidores, especialistas e compradores.

Entre os destaques da programação esteve o lançamento do livro “Mulheres da Cachaça”, obra que reúne histórias e experiências de mulheres que contribuem para o fortalecimento do setor, evidenciando o crescimento da presença feminina em toda a cadeia produtiva da bebida.

Outro ponto alto foi a realização da Caravana do Agro Exportador, promovida pelo MAPA, que trouxe debates sobre internacionalização, oportunidades de exportação e os desafios do mercado global para os produtores brasileiros.

A degustação de vinhos de Pernambuco também chamou a atenção dos visitantes e profissionais do setor, apresentando a qualidade e a diversidade da produção vitivinícola nordestina, que vem conquistando espaço no cenário nacional.

Chegar aos 10 anos com resultados tão expressivos demonstra a maturidade, a força e o potencial de crescimento do mercado e a confiança dos expositores e compradores em nossas feiras. Foram três dias de muito conteúdo, conexões estratégicas e oportunidades concretas de negócios, reforçando o papel da Wine São Paulo e da Cachaça Trade Fair como ambientes de desenvolvimento para todo o setor
Zoraida Lobato, CEO da Wine São Paulo e da Cachaça Trade Fair

Degustações especiais

A Wine São Paulo e Cachaça Trade Fair é uma feira voltada para o B2B. O Portal Mesa de Bar foi convidado para conhecer de perto as novidades dos expositores e traz a seguir um pouco do que viu por lá. Começamos pelas cachaças.

A Cachaça Triunfo é fabricada no Engenho Triunfo, localizado na cidade de Areia, no estado da Paraíba, que tem uma história interessante. A região era composta por grandes engenhos de cana-de-açúcar que, passada a época áurea, aos poucos foi trocando a produção de açúcar para cachaça e atualmente é um dos principais polos produtores da bebida no nordeste, com um volume de mais de 250 mil garrafas por mês. O Engenho Triunfo, por sinal, é um dos principais produtores e funciona também como um ponto turístico do chamado “Brejo Paraibano” e oferece visitas guiadas pelo processo de produção artesanal, além de contar com fábrica de chocolates e outras atrações.

Provamos suas cachaças e ficamos encantados com as três versões da Triunfo Premium, envelhecidas em barris de carvalho europeu e umburana, sendo que a versão da bela garrafa toda chanfrada da esquerda da foto, envelhecida além do carvalho em jequitibá rosa e castanheira, é simplesmente espetacular!

Da mesma região paraibana de Areia, provamos mais duas cachaças. A Abdíssima é produzida pela Brasilervas e é conhecida pela sua produção rigorosa. A que provamos passa por envelhecimento por sete anos em barricas de carvalho, proporcionando a ela um sabor amadeirado, complexo e aveludado.

Provamos também as ótimas cachaças da Saboeiro. Elas são produzidas com fermentação natural e leveduras selvagens da própria cana, proporcionando a elas uma baixa acidez, uma maciez e um aroma frutado intenso, com notas de mel. Além das puras, a Saboeiro oferece versões envelhecidas em barris de carvalho e madeiras brasileiras, que agregam aromas amadeirados, notas de baunilha e um toque aveludado ao final. O Engenho Saboeiro também está aberto à visitação. Portanto, vale considerar uma visita à cidade de Areia que fica a aproximadamente 120 km de distância de João Pessoa se você estiver por lá.

O Alambique Bylaardt foi fundado em 1943 em Luiz Alves (SC) pelo imigrante holandês Wilibaldo Van Den Bylaardt. De lá para cá foi se aprimorando na produção de cachaça e hoje, administrado pela 3ª geração, tem rótulos premiados em competições nacionais e internacionais. Provamos a top de linha. A Cachaça Bylaardt Extra Premium é envelhecida por 18 anos em barris de carvalho que dá a ela um toque amadeirado e um final suave e aveludado. É uma bebida potente, mas elegante e muito agradável. Que cachaça!!!

A Ligia Maria é um clássico entre as cachaças premium nacionais. Suas cachaças batizadas com nomes de pedras preciosas fazem jus à associação. Na feira provamos uma novidade: a Kafe, uma cachaça com café e notas de amêndoas que simplesmente nos deixou espantados com a harmonia entre essas duas instituições nacionais. Parabéns!!!

Outro representante do melhor do segmento no Brasil, a Weber Haus trouxe para a feira duas Extra Premium, uma com cinco e outra seis anos de envelhecimento em barris de carvalho francês pelo método soleira. Este método consiste em um conjunto de barris empilhados que realiza um revezamento da cachaça entre eles. Sendo assim, a bebida que foi armazenada há mais tempo sempre estará no tonel inferior, mais perto do solo. Daí vem o nome de solera. Portanto, depois dos anos previstos, é só engarrafar retirando o líquido de baixo para cima e voilá!! Então imagina o que são essas preciosidades… Detalhe: a de seis anos passa cinco anos maturando no carvalho e um ano finalizando em barris de bálsamo, que adicionam frescor e equilíbrio à cachaça.

A Cachaça Terra do Zebu XIII Anos Blend Especial é produzida no Engenho Chapadão de Minas, localizado no Triângulo Mineiro, em Uberaba. “Terra do Zebu” é uma referência à região, famosa pela criação do boi zebu. A cachaça é um blend de cachaças envelhecidas em barris de carvalho europeu e carvalho americano, com uma cachaça armazenada de 3 a 5 anos em dorna de amburana. O resultado é uma cachaça suave, macia, com notas de baunilha, amêndoas e amadeiradas e um leve dulçor. Uma viagem…

Por falar em dornas e barris, na feira tinha até um fabricante expondo seus modelos de diferentes madeiras e tamanhos. A tonelaria é uma arte e ofício artesanal de fabricar e consertar recipientes de madeira, como barris, tonéis, barricas, dornas e tinas. Eles são essenciais para o armazenamento, transporte e envelhecimento de vinhos, cervejas e destilados, como a cachaça. E é uma atividade pouco difundida por aqui. Ponto para a organização da feira.

Passamos para o estande da Destilaria Gomes de Vasconcelos. Ela começou a plantar cana e produzir cachaça em 2016 em Martinho Campos, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, a 197 km de Belo Horizonte. A região oferece um terroir singular do cerrado mineiro, de clima seco, solo rico em minerais e biodiversidade botânica que influencia no sensorial tanto das cachaças quanto do gin que a destilaria produz. Resultado número um: a Cachaça Gomes de Vasconcelos e Cachaça 7 Bandeiras. A primeira é a cachaça-assinatura da casa, envelhecida por três anos em barris de carvalho francês, aveludada, macia, com um amadeirado na medida certa. E a 7 Bandeiras é uma cachaça maturada em sete madeiras (carvalho francês, carvalho ex Vinho do Porto, carvalho americano, amburana, bálsamo, freijó e jatobá) em edição única de 400 garrafas numeradas, que era lançamento na feira. Uma cachaça espetacular!!!

O resultado número dois são os gins da linha Free Soul. Eles se inspiraram, nas quatro estações do ano, assim, cada um tem uma personalidade marcante. O Primavera é mais floral, o Verão é mais cítrico, o Outono é mais herbal e o Inverno é mais picante. Todos excelentes! A Destilaria Gomes de Vasconcelos pode se orgulhar dos destilados que oferece. Bom para nós!!!

Seguimos em uma outra direção para provar o Licor de Doce de Leite BEN (antigo licor DOM e Jhon) é uma bebida artesanal mineira produzida em Campo das Vertentes, uma região turística entre a Zona da Mata e o Sul de Minas, nas encostas da Serra da Mantiqueira, famosa pelas suas cidades históricas e pela produção de café. Ele é feito de álcool de cereais e doce de leite puro e entrega tudo o que se espera: textura aveludada, sabor adocicado intenso e um teor alcoólico de 13%. A surpresa foi a versão com café, que ficou um espetáculo.

Já que estamos explorando novos sabores, conhecemos a Fiu-Fiu, uma empresa de Goiânia (GO) que fabrica uma linha de bebidas alcoólicas leves e refrescantes à base de álcool de cana. O portfólio inclui bebidas saborizadas para preparo de drinks nos sabores Cajazinha e Abacaxi com Hortelã. Outra linha é a Fiu-Fiu Ice de drinks prontos para beber nos sabores: Tangerina com Gengibre e Cajalemon e a finalmente a linha Fiu-Fiu Shots de licores cremosos com sabores de sobremesa: Banoffee, Suspiro de Morango, Tortinha de Limão, Brigadeiro, Paçoca e Churros. Ou seja: tem para todos os gostos.

Pausa para um “lanchinho”, melhor, para um pequeno banquete com as delícias da Loucos por Queijo, um maravilhoso empório de queijos artesanais de São Paulo. O seu fundador, Anderson Aguiar, foi eleito simplesmente o Melhor Queijista do Brasil pelo Concurso Nacional do Queijo. Ele foca em garimpar e comercializar os melhores queijos artesanais brasileiros e no seu estande a gente fica enlouquecido com tantas boas opções…

Os vinhos

Depois de um belo parmesão, chegou a hora de degustarmos os vinhos da feira. Começamos pelo excelente estande da Rio Valley. Ela é uma marca brasileira, pertence ao grupo Verano Brasil, que produz vinhos e espumantes no Vale do São Francisco, em Pernambuco. A Rio Valley foca em bebidas leves e refrescantes, como frisantes brancos e rosés em garrafa e em lata, com baixo teor alcoólico, e espumantes frutados, como o Moscatel e até o Zero Álcool. Além disso, a marca oferece também ótimos sucos de uva integrais. Provamos o seu Prosecco nas versões lata e garrafa e gostamos bastante.

Hora de ótimos vinhos italianos. No estande da Vincenzi experimentamos o Eraldo Viberti Langhe Nebbiolo, um vinho tinto refinado e artesanal de Santa Maria, em La Morra, na região italiana do Piemonte. Este 100% nebbiolo é um Barolo mais acessível e descomplicado, mas muito saboroso, com 12 meses de maturação em carvalho francês, aromático, fresco, suave e vibrante. E também o Barolo Bricco San Pietro, um vinhaço produzido em Monforte d’Alba, na região Barolo DOCG do Piemonte, 100% nebbiolo com 30 meses de maturação em grandes barris de carvalho da Eslavônia. Um vinho aromático, estruturado e elegante, que lembra cereja, couro, especiarias, com final fresco, sedoso e persistente. E tem uma curiosidade: foi o vinho apreciado por anos pelo Príncipe Albert II de Mônaco. Por alguns segundos, nos sentimos no principado…

No mesmo estande provamos o Ruchè di Castagnole Monferrato DOCG, da Tommaso Bosco de Castagnole Monferrato, também no Piemonte. Essa uva ruchè é pouco difundida, mas surpreendentemente, pois entrega aromas florais e um sabor fresco de frutas vermelhas maduras, com notas de especiarias. Um vinho suave e elegante sem influência de madeira. Muito interessante!

No próximo estande provamos rótulos da vinícola Alamabras que produz vinhos da linha UKO, uma associação ao seu local no Vale do Uco, em Mendoza, na Argentina. Foram dois vinhos Mister Uko, um Cabernet Franc e um Malbec. Este último um representante típico desta casta que se adaptou tão bem à Argentina a ponto de virar um ícone da produção do país. Mas o Cabernet Franc surpreendeu. O cultivo dessa uva na Argentina tem sido um dos maiores fenômenos do país, com crescimento de 115% da área plantada. Ambos ótimos vinhos!

Voltamos para a Itália para provar o Refosco dal Peduncolo Rosso, da vinícola Forchir, é um vinho tinto originário da região italiana de Friuli-Venezia Giulia. Produzido a partir desta casta antiga, dos tempos dos romanos, que tem os cabinhos avermelhados (daí o nome). Ele é um vinho encorpado com aromas e sabores intensos de frutas vermelhas escuras e taninos marcantes. Da mesma vinícola provamos o Forchir Traminer Aromatico, um vinho branco com um aroma floral intenso e bem frutado, que lembra lichia, pera e abacaxi, com notas de especiarias característico da uva gewürztraminer. Dois vinhos bem interessante!

Passamos para outro desta casta. O Morandé Terrarum Single Estate Gewürztraminer é um vinho branco intenso e marcante, produzido na região do Valle de Casablanca, no Chile. Um representante clássico dessa uva pelo seu aroma fresco e floral e sabor que remete a frutas, como lichia e melão, e uma picância com uma leve doçura. Um vinho fresco e perfumado.

Da mesma vinícola chilena, porém da região do Vale do Maipo, provamos o House of Morandé, um blend de cabernet sauvignon (80%), cabernet franc (12%), carignan (4%) e syrah (4%), com estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês. Um vinho equilibrado e sofisticado, com aromas  florais e um sabor que remete a frutas vermelhas maduras, com toques terrosos, mentolados, de amoras, cassis e grafite.

Hora de um espumante, no caso o Roxanne Cava Brut, da Chozas Carrascal da região de Valência na Espanha. Ele é elaborado com as uvas macabeo e chardonnay e tem aromas de pão fresco, maçã e damasco e sabor de maçã, pera e lima. Este é um Cava de alta qualidade e foi muito bom prová-lo na feira e ficar cantarolando a música do The Police

Guinada para o Vinho Verde Arca Nova, produzido na Quinta das Arcas em Sobrado, no município de Valongo, no Distrito do Porto. Ele é um blend de loureiro (50%), arinto (40%) e trajadura (10%). Um vinho de aroma e sabor agradável que remete a frutas frescas, como lichia e maracujá, e com uma leve mineralidade. Muito equilibrado e interessante.

Hora de um branco disruptivo. O Goutte D’Argent Chardonnay é produzido pela Viña Marty, no Valle de Leyda, no Chile. Ele desafia as convenções ao aliar uma uva icônica francesa e uma técnica de vinificação única no mundo que utiliza leveduras de saquê. Como resultado ele tem aromas florais e um sensorial que remete a um saquê japonês, mas com toques sutis de frutas brancas, mel e ervas frescas. Um vinho complexo e intrigante.

Finalizamos nossa degustação com um tinto icônico: o Clos Apalta, da renomada vinícola Lapostolle do Valle de Colchagua no Chile. Um blend de carménère (70%), merlot (18%), cabernet sauvignon (8%) e petit verdot (4%) elaborado apenas nas grandes safras, maturado por 24 meses em barricas de carvalho francês. É um vinho poderoso, encorpado e complexo, com 15% de teor alcóolico muito bem inseridos, tanto que é um dos mais premiados e considerado um dos melhores vinhos da América do Sul. Um grand finale!!!

A Wine São Paulo e Cachaça Trade Fair comprovou ser uma feira de ótimas descobertas e um excelente evento para o mercado de vinhos se conectar diretamente com os produtores, importadores e trades do mercado, ficar por dentro das novidades e poder degustá-las e ainda fechar bons negócios. Parabéns à organização e a todos os profissionais envolvidos. Estaremos, certamente, na próxima edição. Mais informações nos sites: www.winetradefair.com.br e www.cachacatradefair.com.br e nos Instagram: @winetradefairsp @cachacatradefair